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Congresso PSD

"Adversário" ou parceiro "inevitável"? Como olham as outras direitas para o novo PSD?

01 jul, 2022 - 19:00 • Tomás Anjinho Chagas

Nem Chega, nem Iniciativa Liberal, nem CDS pretendem coligar-se ao PSD numa primeira fase. No entanto, todos apontam para os laranjas como um parceiro natural. Montenegro toma posse este fim de semana como novo líder dos social-democratas.

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Cinco meses depois do desaire eleitoral e da maioria socialista, o PSD vai oficialmente ter um novo líder. Sai Rui Rio, entra Luís Montenegro. Quatro anos separam o presente das próximas legislativas e o espaço da direita tem sido conquistado, aos poucos, por outros partidos.

Como é que eles olham para o PSD? Um parceiro “natural” ou um “adversário político”? Uma ameaça ao crescimento ou uma ajuda para derrubar o PS?

Com olhos diferentes mas com um objetivo em comum, os diferentes partidos veem em Montenegro uma oportunidade de acabar com a hegemonia socialista. Todas as direitas admitem reuniões com o espinhense a partir do Congresso.

Chega. Montenegro é “um homem inteligente e mais à direita”

“Portugal precisa de uma oposição de direita forte, e para isso precisamos de um PSD forte”, admite Pedro Pinto, líder parlamentar do Chega à Renascença. O deputado considera que o Chega é o único partido que está a fazer oposição”, provoca.

Mas apesar das críticas à prestação do PSD até agora, Pedro Pinto acredita que Luís Montenegro pode ser um ponto de viragem na oposição ao PS.

“Tem sido sempre um homem inteligente mais de centro-direita do que Rui Rio”, e acrescenta que com o novo líder do PSD há um novo ímpeto para não “perpetuar o socialismo e a esquerda” em português.

O líder parlamentar do Chega lança a escada ao novo líder social-democrata. “Não haverá Governo à direita sem o Chega e Luís Montenegro já percebeu isso certamente”.

Durante o período de eleições internas do PSD, André Ventura deu uma conferência de imprensa no Parlamento onde convidou o PSD e a Iniciativa Liberal para uma “grande conferência” dos partidos de direita. Já nessa altura, no final de maio, o líder do Chega assumiu que um acordo com o PSD seria mais fácil se Montenegro fosse o escolhido.

E foi. Mas isso não impede o Chega de colocar linhas vermelhas. “Prisão perpétua, subsídio-dependência e corrupção”, elenca Pedro Pinto, defendendo que são bandeiras das quais o partido não vai abdicar.

Ainda assim, o Chega vê possibilidades de convergência ideológica com o PSD, nomeadamente na área da justiça, para uma reforma do sistema.

IL. “PSD é nosso adversário” e parceiro “natural”

“Olhamos para o PSD como olhamos para os outros partidos, como adversários”, afirma Rodrigo Saraiva, líder parlamentar da bancada da Iniciativa Liberal à Renascença.

No entanto ressalva que o PSD é um dos partidos “com mais afinidade” e com o qual a IL tem “mais proximidade” do que com outros. “Esperamos que o próximo líder do PSD tenha o mesmo entendimento para derrotar o Partido Socialista”, e deseja um futuro próspero aos dois partidos. “Para haver uma alternativa ao PS, é preciso um PSD e uma IL sólidos e em crescimento”, considera Rodrigo Saraiva.

São dois partidos distantes no que diz respeito ao entendimento que têm sobre o papel do Estado na economia. Não obstante, a Iniciativa Liberal acredita que pode contar com os laranjas para uma reforma na saúde.

“Para que em vez de termos um sistema público de saúde, tenhamos um sistema em que seja quase indiferente quem é o prestador do serviço: público, privado ou social. Parece-me que o PSD tem feito também um caminho”, aponta o líder da bancada liberal à Renascença.

Há pontos em comum, mas Rodrigo Saraiva é taxativo nas traduções concretas dessas convergências. “Coligações parece-me que é bastante extemporâneo”, só depois de eleições é que os liberais consideram fazer entendimentos.

Mas não em todo o país. A Madeira, por exemplo, pode ser palco de confrontos, e não de convergência. Rodrigo Saraiva fala numa “situação política que não é um copy paste da realidade nacional”. Por isso, admite que chegar a entendimentos é “mais difícil” até porque o governo do PSD tem “bastantes décadas” o que torna a governação social-democrata um “poder absoluto laranja”.

Nesse arquipélago, a Iniciativa Liberal deve estar do outro lado da barricada em relação ao PSD. “É natural que o nosso foco esteja na oposição” a um governo que tem “bastantes defeitos”, fruto dos vários anos no poder.

E apesar de “todos os partidos” serem considerados adversários. Há uns que são mais do que outros. “Queremos liderar a oposição ao Partido Socialista”, dispara Rodrigo Saraiva que pede aos restantes partidos que apontem as setas para o PS, “espero que os outros partidos não andem a olhar uns para os outros”.

CDS. “Desejo que o centro-direita sensato cresça” e PSD é de articulação “necessária”

O objetivo do CDS é claro: recuperar o espaço perdido na Assembleia da República. Mas isso não entra em conflito com o crescimento do PSD.

“Desejo, como é evidente, que o espaço político de centro-direita sensato cresça para que haja uma alternativa aos socialismos”, defende Nuno Melo. À Renascença, o líder centrista mostra-se focado no próprio partido mas admite que “só o CDS a crescer não fará alternativa aos socialismos”.

De forma implícita, Nuno Melo assume que o PSD tem também de ganhar peso para uma verdadeira viragem no panorama político português.

A articulação é necessária e inevitável”, considera o presidente do CDS. À margem da Conferência dos Oceanos em Lisboa, Nuno Melo lembra que o partido “governa mais de 40 autarquias coligado com o PSD, está nos dois Governos Regionais com o PSD”. Por isso, é um parceiro tradicional.

Mas isso não impede que continuem a ser partidos diferentes e “adversários noutros momentos”, explica à Renascença. “Com toda a probabilidade, devemos concorrer ao Parlamento Europeu separadamente”.

O Chega pode ser uma barreira entre o PSD e o CDS? “Pouco se me dá o que o PSD possa fazer com o Chega ou com quem seja”, diz Nuno Melo, que sentencia: “Esse é um problema do PSD e desse outro partido”.

A estratégia passa antes por ganhar votos para ser relevante no xadrez político. “A mim preocupa-me garantir que o CDS, se tiver força, passa a ser uma componente fundamental nas decisões do centro-direita em Portugal”.

As regionais da Madeira aproximam-se e Nuno Melo vê com bons olhos para uma renovação das coligações. “Vejo uma aposta que tem dado muitos resultados, com uma solução muito coesa”, entre PSD e CDS. E como não se muda equipa que ganha, o presidente centrista deixa a porta aberta: “Parece-me que o PSD e o CDS quererão reeditar” esta coligação.

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