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Voto antecipado para idosos e confinados. Abstenção zero nos lares de Reguengos de Monsaraz

25 jan, 2022 - 22:30 • Rosário Silva

No domingo, mais de oito mil eleitores são chamados às urnas, no concelho de Reguengos de Monsaraz. O município está a criar as condições para que o ato eleitoral aconteça de forma segura para todos, mas é preciso que cada cidadão faça também a sua parte. Nesta terça-feira, votaram antecipadamente 26 utentes de dois lares.

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Canetas, máscaras, luvas, gel desinfetante e batas descartáveis. Está completo o "kit" de proteção individual que a equipa da Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz leva consigo, na visita que realiza ao lar de uma freguesia do concelho.

Começou esta terça-feira, em todo o país, para se prolongar até amanhã, o processo de recolha dos votos dos idosos em lares e de pessoas em confinamento, que pediram para votar antecipadamente nas legislativas.

Sem inscrições de pessoas confinadas, no concelho apenas 26 utentes, de duas das agora denominadas Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas (ERPI), inscreveram-se para votar antes do dia 30. O município preparou tudo ao pormenor, disponibilizando uma equipa para realizar este trabalho.

“Articulamos com as direções dos lares, procurando que fosse disponibilizado um espaço recatado, dentro de cada lar, onde pudesse decorrer a votação, garantindo o sigilo do voto e o respeito pelas regras básicas que estão em vigor para efeitos de pandemia”, explicou, à Renascença, Nelson Galvão, responsável pela preparação dos atos eleitorais no município alentejano.

De acordo com o chefe de divisão de Administração Geral, foram também estabelecidos horários para que tudo fosse realizado comodamente e em segurança.

“Sugerimos espaços amplos que permitissem algum distanciamento físico, ainda que sejam os funcionários dos lares que fizeram todo o encaminhamento do eleitor. Nós apenas entregamos e recolhemos o boletim”, sublinhou.

Nelson Galvão lembrou também que foi efetuado o “reforço da vacinação para os funcionários que acompanham o processo eleitoral”, tendo havido a preocupação de realizar “um autoteste para podermos entrar nos lares” e proceder à entrega e recolha dos boletins de voto, além do cumprimento das regras básicas, como a utilização da mascara ou a higienização das mãos.

“Na prática, quisemos reproduzir, ali, um pouco do que é uma mesa de voto, recriar esse ambiente, como se fosse no dia 30, mas com todas as regras de segurança imprescindíveis”, acrescenta.

Depois de assistirem à votação, os boletins regressaram às mãos dos funcionários municipais que os encaminham para “os circuitos que forem definidos, ou pela GNR ou através das juntas de freguesia”, para que estes votos cheguem, no dia 30, às mesas de voto dos respetivos eleitores.

Por motivos de segurança, não foi possível à Renascença estar no interior destas residências para idosos, mas, a avaliar pelas palavras deste responsável, tudo correu muito bem.

“Não tivemos um número elevado de inscritos, a manhã foi o período com mais inscrições, de qualquer forma, foi bastante interessante, com muita recetividade dos utentes destas duas instituições e posso dizer-lhe que houve 100% de afluência às urnas”, assegura, sorrindo, Nelson Galvão.

Sem abstenção, os mais velhos deram o exemplo e todos os que se inscreveram para votar antecipadamente, acabaram por exercer o seu direito de voto.

Município cria condições, mas votar em segurança é responsabilidade de cada cidadão

Mas o verdadeiro desafio para os municípios acontece no próximo domingo.

“Até agora, o desafio tem sido diário. Este é um processo eleitoral, realmente idêntico a outros, exceto no que diz respeito à abertura para os eleitores confinados poderem votar também no domingo”, recorda o chefe de divisão deste município do distrito de Évora.

No concelho, tudo está “praticamente montado para o dia 30”, mas dado o período de pandemia que se vive, em termos de organização interna, está tudo a ser feito para “garantir que o ato possa ser exercido em segurança”, nas 19 mesas de voto espalhadas pelo concelho.

“Temos 95 pessoas envolvidas, enquanto agentes de mesas de voto, além dos delegados dos partidos que vão também acompanhar o ato eleitoral”, por isso “queremos que seja seguro, tanto para quem vai à urna votar, como para quem está a trabalhar”, indica, Nelson Galvão.

Dada a abertura aos confinados, houve necessidade de “reforçar os mecanismos de segurança”, para, segundo o responsável, “chegarmos ao final com a consciência tranquila de que fizemos o nosso melhor”.

Há, contudo, uma outra preocupação e prende-se com a “instabilidade” que poderá atingir a constituição das mesas de voto.

“De um momento para o outro podemos ter elementos que terão de ficar confinados, e a necessidade, quase em cima da hora e de urgência, de estarmos a garantir essas substituições”, adianta, revelando que existe uma “bolsa de reserva” para fazer face a esta possível situação.

No concelho de Reguengos de Monsaraz, há 8.873 eleitores, mas o município desconhece o número de pessoas que estão em confinamento.

“Não temos uma noção exata, até porque os números não são em tempo real”, afirma. O que existe é uma recomendação para que o voto seja exercido entre as 18:00 e as 19:00. Nós não temos meios para controlar, nem obrigatoriedade legal para impedir que alguém confinado vote antes das 18 horas. É uma recomendação para que o voto seja exercido nesse período”,

Assim sendo, o apelo é remetido para a responsabilidade de cada cidadão.

“Acredito que os processos eleitorais são processos seguros se respeitarmos as regras básicas de proteção, como o distanciamento físico, a máscara que é obrigatória, a higienização das mãos ou usarmos a nossa própria caneta para votarmos. Se todos tivermos essa consciência de respeitarmos as normas, tenho a certeza que será um ato seguro”, conclui.

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