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Carlos Moedas acusa PS de "irresponsabilidade" por ter adiado votação do Orçamento Municipal

20 jan, 2022 - 23:36 • Redação com Lusa

O autarca admite ainda que "não tem certezas nenhumas" quanto à viabilização do Orçamento.

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O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, acusou o PS de irresponsabilidade por ter adiado a votação do Orçamento Municipal da autarquia para 2022, devido a um erro ténico do documento apresentado.

Fonte da vereação do PS indicou, à Lusa, que o adiamento foi decidido após uma intervenção do vereador socialista João Paulo Saraiva, que chamou à atenção para "a existência de erros técnicos nos mapas do orçamento", inclusive que a verba destinada à habitação é de 76 milhões de euros em vez dos 116 milhões de euros anunciados pelo executivo, o que significa "menos 40 milhões de euros", isto porque há ações que estão "mal classificadas" nos documentos.

"Os valores que foram apresentados à imprensa, em programas tão relevantes como o da habitação, foram por isso mesmo artificialmente inflacionados, afetando a confiança necessária nos números e programas da autarquia", acusou o PS, referindo que, além disso, o orçamento da Sociedade de Reabilitação Urbana (SRU), empresa municipal que representa mais de 100 milhões de euros nas contas globais da autarquia, ainda não foi apresentado por não ter assinatura do revisor único.

Para os vereadores socialistas, "ambos os casos revelam uma gritante falta de organização e de transparência do executivo de Carlos Moedas, incapaz de entregar um orçamento em condições de ser analisado e votado".

Esta noite, em entrevista à SIC Notícias, Carlos Moedas rejeitou que se tratasse de um erro técnico e que a situação podia ter sido resolvida "imediatamente, na reunião".

"Vemos um PS que num dia diz que vai passar o Orçamento e, no dia a seguir, não deixa passar o Orçamento. Isto cria uma relação em que é impossível haver confiança", critica o atual presidente da CM Lisboa.

O autarca admite ainda que "não tem certezas nenhumas" quanto à viabilização do Orçamento.

A governar a cidade sem maioria absoluta, o executivo presidido por Carlos Moedas (PSD), com sete eleitos da coligação "Novos Tempos" (PSD/CDS-PP/MPT/PPM/Aliança), deverá conseguir a viabilização da proposta de orçamento, uma vez que os cinco vereadores do PS já anunciaram que se vão abster e justificaram esse sentido de voto "por uma questão de princípio democrático e de salvaguarda da estabilidade na gestão da autarquia", ressalvando que "não significa concordância".

Os vereadores do PCP, o Livre e a vereadora independente Paula Marques (eleita pela coligação PS/Livre) também já anteciparam o sentido de voto, que é contra a proposta de orçamento.

Este é o primeiro orçamento municipal do mandato 2021-2025, sob a presidência do social-democrata Carlos Moedas, em que a proposta apresentada prevê uma despesa de 1,16 mil milhões de euros para este ano.

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