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Operação Miríade. Bloco quer ministro da Defesa e chefias militares no Parlamento

11 nov, 2021 - 15:53 • Lusa

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O Bloco de Esquerda pediu, nesta quinta-feira, as audições urgentes do ministro da Defesa Nacional, do Chefe de Estado-Maior-General das Forças Armadas (CEMGFA) e do Chefe de Estado-Maior do Exército (CEME) sobre as as suspeitas de uma rede criminosa de militares portugueses.

"A Operação Miríade, recentemente levada a cabo pela Polícia Judiciária no âmbito das suspeitas da existência de uma rede criminosa com vista a contrabandear diamantes, ouro e estupefacientes provenientes da República Centro-Africana, por militares portugueses que estiveram destacados naquele país no âmbito da missão coordenada pela Organização das Nações Unidas (MINUSCA), veio colocar em causa a integridade e o prestígio das Forças Armadas Portuguesas, bem como a sua imagem na esfera internacional", pode ler-se num requerimento bloquista que deu entrada nesta quinta-feira no Parlamento.

Na perspetiva do BE, têm "surgindo perguntas que merecem um cabal esclarecimento por parte das entidades com responsabilidades na administração direta do Estado e da Defesa Nacional".

Assim, os bloquistas pedem, "com caráter de urgência, a audição do Ministro da Defesa Nacional, do Chefe de Estado-Maior-General das Forças Armadas (CEMGFA), e do Chefe de Estado-Maior do Exército (CEME), com vista à prestação de todos os esclarecimentos sobre o assunto em causa".

"Há, desde logo, duas questões que importa esclarecer. Primeiro, deve ser dada uma explicação cabal sobre os processos de controlo à chegada ao território nacional destes militares transportados em aviões da Força Aérea Portuguesa e outras aeronaves ao abrigo das missões da ONU", sustentam.

A segunda questão tem a ver com a "partilha de informação e a tomada de decisão política após o conhecimento das informações que levaram à abertura da investigação judicial".

"Não se encontra qualquer razão para que a informação sobre a existência desta rede criminosa - aliás partilhada com as Nações Unidas - não tenha sido partilhada com outros órgãos de soberania do Estado português", contesta.

As audições pedidas pelo BE justificam-se, na perspetiva do partido, "tendo em conta a gravidade e dimensão deste caso".

"O Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda considera que todos os esclarecimentos devem ser prestados pelo Ministro da Defesa Nacional, bem como pelo Chefe de Estado-Maior-General das Forças Armadas (CEMGFA) e pelo Chefe de Estado-Maior do Exército (CEME), entidades que tiveram, inevitavelmente, uma participação direta neste processo, e que também poderão contribuir para uma melhor aclaração desta situação", afirma.

A Polícia Judiciária (PJ) confirmou em 08 de novembro a execução de 100 mandados de busca e 10 detenções, incluindo de militares e ex-militares, no âmbito da Operação Miríade, na sequência de um inquérito dirigido pelo Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa.

Em causa está a investigação a uma rede criminosa com ligações internacionais e que "se dedica a obter proveitos ilícitos através de contrabando de diamantes e ouro, tráfico de estupefacientes, contrafação e passagem de moeda falsa, acessos ilegítimos e burlas informáticas".

Em comunicado, o Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA) revelou que alguns militares e portugueses em missões na República Centro-Africana podem ter sido utilizados como "correios" no tráfego de diamantes, adiantando que o caso foi reportado em dezembro de 2019.

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