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Demissão em bloco

Bloco quer ouvir com urgência profissionais demissionários do Hospital de Setúbal

07 out, 2021 - 11:24 • Redação

Demitiram-se a 87 médicos com funções de direção. Na origem da vaga de demissões está aquilo que o diretor clínico daquela unidade diz ser a falta generalizada de condições de trabalho.

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O Bloco de Esquerda (BE) quer ouvir com urgência no Parlamento os vários profissionais que se demitiram no Hospital de São Bernardo, em Setúbal, devido à falta de recursos e condições em vários serviços, nomeadamente urgência, obstetrícia, pediatria e unidade de AVC.

Depois da demissão de 87 médicos com funções de direção, o grupo parlamentar do BE faz saber que um requerimento deu entrada esta quinta-feira na comissão parlamentar de Saúde.

Os bloquistas alertam ainda que a situação no Hospital de Setúbal "não pode depender apenas de anúncios", numa alusão ao facto de o Governo ter revelado, na última semana, a intenção de contratar dez médicos de diferentes especialidades para cobrir as falhas da unidade, número que a Ordem dos Médicos considerou insuficiente.

Na origem da vaga de demissões está aquilo que o diretor clínico daquela unidade diz ser a falta generalizada de condições de trabalho.

A demissão do diretor clínico do Hospital de Setúbal surgiu na semana passada e, a esta, juntaram-se outras 86, em protesto contra um quadro "desesperante", segundo relatam os clínicos.

Na quarta-feira, em conferência de imprensa, o diretor clínico demissionário, Nuno Fachada, reconheceu a "rutura nos serviços de urgência, nos blocos operatórios, na oncologia, na maternidade, anestesia" e que, tal como está, a unidade já "não consegue mais responder à sua população" e, como tal, deve "deixar de ser financiado como um simples hospital distrital e passar a ser uma unidade multidisciplinar", para acabar com a fuga de clínicos e de outros profissionais para o setor privado e para o estrangeiro.

Dez médicos? "Melhor do que nenhum, mas não resolve"

Na segunda-feira, o secretário de Estado Adjunto e da Saúde anunciou a intenção do Governo de contratar 10 médicos de diferentes especialidades, para cobrir as falhas. O bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, reagiu afirmando que "é melhor do que nenhum, mas não resolve o problema do hospital, nem de perto nem de longe".

"As necessidades que eles têm em várias áreas de especialidade é muito grande, portanto estes médicos estão a dar um grito de alerta", enfatizou.

"É fundamental que o ministério da Saúde pense em renovar a sua política de contratação de médicos para o SNS, porque, senão, vamos ter situações semelhantes a esta de Setúbal - que não é uma situação única, mas é a mais aguda neste momento", rematou Miguel Guimarães.

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  • EU
    07 out, 2021 PORTUGAL 11:51
    O BLOCO vai ouvir, alegadamente, pela falta de RECURSOS. Afinal um Hospital deve ter um corpo clínico formado por Médicos ou por OITENTA e SETE DIRECTORES? É caso para dizer. São mais os DIRECTORES do que os trabalhadores(Médicos). O BLOCO não se esqueça de perguntar qual o montante em €s, no final de cada mês desses 87 e qual o número de DOENTES atendidos por esses mesmos 87. Para informação do BLOCO, devo dizer, estou há QUATRO ANOS à espera de uma CONSULTA de OFTALMOLOGIA num Centro Hospitalar deste País Democratico e de ESQUERDA.

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