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Congresso do pan

“Não baixaremos os braços até que possamos dizer: este OE é um Orçamento PAN, este Governo é um Governo PAN”

06 jun, 2021 - 13:33 • Susana Madureira Martins , Eunice Lourenço

Inês Sousa Real diz que o PAN vai às próximas legislativas para ser Governo. No encerramento do congresso do PAN, a nova líder apresentou linhas vermelhas e exigências ao Governo de António Costa.

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“Queremos mais” é a expressão que resume todo o discurso de Inês Sousa Real, a nova líder do PAN, no congresso do partido que decorreu este fim-de-semana em Tomar. Uma mensagem dirigida ao primeiro-ministro, António Costa, mas também ao país e que assinala um partido que quer ter o poder de determinar orçamentos e até de participar no Governo.

“Daqui a dois anos, há eleições legislativas às quais nos apresentamos evidentemente para ser governo”, afirmou a nova líder, num improviso ao discurso escrito, depois de também dizer que o PAN espera ver crescer a sua representação nas eleições autárquicas deste ano.

“Não descansaremos, não baixaremos os braços, demore os anos que demorar, até chegar à altura da história política em que possamos dizer: este Orçamento do Estado é um Orçamento PAN, este Governo é um Governo PAN, este país é um país que não deixa ninguém para trás e que realmente aposta em políticas públicas inclusivas, ecocêntricas e promotoras da dignidade inter-espécies e intergeracional”, afirmou Sousa Real, quase a terminar o discurso.

Antes tinha deixado uma “mensagem clara” ao Governo: “Queremos mais. Exigimos mais. Queremos proteger os oceanos, as florestas, os animais, reduzir o número de pessoas em risco e em situação de pobreza, o número de pessoas sem acesso à saúde e ao trabalho, reaproximar o ordenado mínimo da média europeia e trabalhar para um melhor nivelamento do salário médio. Queremos também ter mais e melhores investimentos na saúde, nos profissionais da educação, das forças de segurança, dos vigilantes da natureza e tantos outros profissionais-chave. Mas queremos também que os dinheiros da “bazuca europeia” sirvam para potenciar o empreendedorismo e a economia verde. É, igualmente, fundamental uma aposta no sistema judicial e o combate à corrupção deve ser uma prioridade, tirar da gaveta o Pacto da Justiça.”

Os recados da nova líder do PAN também tiveram como horizonte o próximo Orçamento do Estado: “Acima de tudo, o próximo Orçamento do Estado tem de colocar a tónica no desafio das nossas vidas: o combate contra a emergência climática. O combate às alterações climáticas pode e deve ser o veículo da transição para um modelo de desenvolvimento econômico mais justo e sustentável do ponto de vista social e ambiental. Se um Estado se define também pelo seu Orçamento, então o Orçamento do Estado deve ser, sim, e sempre, um Orçamento Ambientalista, Animalista e promotor da Igualdade de Direitos e Oportunidades.”

“Basta”: as linhas vermelhas do PAN

Antes do “queremos mais”, Inês Sousa Real já tinha dado vários “basta”, elencando na parte inicial do discurso o que o PAN não pode aceitar.

“Basta de financiar indústrias poluentes com subsídios perversos que nos custam 500 milhões de euros ao ano. Basta de destruir os meios naturais! Aeroporto do Montijo, Alagoas Brancas, Quinta dos Ingleses ou campos de golfe em duna primária, são alguns dos exemplos da visão distorcida dos sucessivos governos, são alguns dos exemplos da visão distorcida dos sucessivos governos! Basta de desvarios que põem em causa a sustentabilidade ambiental! Basta de financiar os setores instalados da caça e da tauromaquia. Basta de termos canis que mais não são do que depósitos de animais, que não cumprem sequer com a legislação em vigor! Basta de borlas fiscais. Basta de enterrar milhões e milhões de euros na banca”, afirmou a nova líder do PAN, que tinha na sala, entre os convidados, o secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, Duarte Cordeiro.

E continuou: “Basta de ignorar a corrupção que nos custa anualmente 18 mil milhões de euros. Basta de lesar o país com os mil milhões de euros em fugas de impostos para paraísos fiscais. Basta de deixar quem mais precisa sem apoios sociais e sem políticas que resgate as pessoas de situações de pobreza ou vulnerabilidade social!”

Para o PAN, “é preciso repensar e realocar os recursos financeiros e investi-los nas áreas verdadeiramente estratégicas para as pessoas e para o nosso país”, entre as quais estão o Serviço Nacional de Saúde, os apoios sociais e a educação. Mas também os direitos humanos, o combate à pobreza e a todas as formas de discriminação e de exclusão social e a saúde do planeta e dos ecossistemas.

“O PAN está cá para fazer esta diferença! Na Assembleia da República, através de um agora renovado Grupo Parlamentar, das Regiões Autónomas, das autarquias e estruturas locais e, principalmente, na Juventude do PAN, que ontem foi aprovada neste Congresso”, afirmou Inês Sousa Real, que faz 41 anos este domingo. “O PAN sai deste congresso não só como o partido ambientalista, animalista, e socialmente responsável e justo que já era, mas como um partido assumidamente ecocêntrico” e o único país capaz de responder ao desafio climático, acredita a nova líder do partido.

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  • José J C Cruz Pinto
    06 jun, 2021 ILHAVO 14:02
    Quando o conseguirem, com quem celebrarão acordos preferenciais (ou para quem governarão, quando chegarem à maioria absoluta) - cães, gatos, burros, touros, ...?... Vamos ter de saber, para o caso de termos que emigrar.
  • Ivo Pestana
    06 jun, 2021 Funchal 13:12
    Ahahahahaha. Os braços vão pesar e cairão. Só quando os animais votarem. Ahahahahaha.

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