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Entrevista a Carlos Moedas

Moedas não se identifica com o Chega e afasta-o das suas ideias para Lisboa e o país

24 mai, 2021 - 07:27 • Paula Caeiro Varela , Eunice Lourenço

O candidato do PSD à Câmara de Lisboa não vai ao “congresso das direitas”. Defende congregação de esforços para as autárquicas, mas é claro a rejeitar o Chega.

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O antigo comissário europeu encabeça a lista de uma coligação chamada “Novos Tempos”, que congrega o PSD, o CDS, o PPM, a Aliança e o MPT. Não chegou exatamente a congregar todas as direitas: a Iniciativa liberal ficou de fora e o Chega também não faz parte.

Em entrevista à Renascença, Carlos Moedas justifica com questões de agenda a sua ausência do chamado “congresso das direitas” – a Convenção do Movimento Europa e Liberdade, que começa na terça-feira (dia 25) – e reconhece que frentes de direita fazem mais sentido nas eleições autárquicas do que nas legislativas.


Esta semana, vai decorrer em Lisboa uma convenção do Movimento Europa e Liberdade (MEL) em que vão participar todos os líderes dos partidos de direita em Portugal. O seu nome não consta no programa. Queria perceber se não quis estar presente, se não aceitou a participar e como é que vê esta convenção.

Por acaso, este ano não vou conseguir participar nessa convenção, mas vejo todas essas conferências de uma maneira muito positiva. Este tipo de conferências, seja à esquerda ou à direita, em que a sociedade civil fala sobre política, são importantes porque o que nós vemos é um desligar da sociedade civil da política e aquilo que eu penso que o MEL faz é trazer muitas pessoas que estão na sociedade civil, que são gestores, são empresários a falar sobre política e isso é importante. Não estou, mas poderia estar.

Mas foi convidado?

Neste caso, não posso porque não tenho, não tinha agenda para isso e, portanto, não vou este ano, mas tenho muito gosto em ir para o ano se se realizar.

Tivemos aqui na semana passada David Justino, vice-presidente do PSD, a dizer que não iria uma convenção deste género e dizendo até que isto é uma legitimação de André Ventura e uma forma que também a promover um partido que só tem um deputado. Isso não influenciaria a sua decisão, não é uma coisa que o incomoda?

Conheço muitas das pessoas que fazem parte deste movimento – pessoas, por exemplo, como Jorge Marrão, que é um empresário que se preocupa com a política. Não penso que por convidar especificamente André Ventura isso retire alguma coisa à conferência, mas não vou fazer aqui uma apologia ou não desta conferência.

Carlos Moedas. “Há uma parte do PS que viveu sempre no Estado com a ideia de amigos e de favores”
Carlos Moedas. “Há uma parte do PS que viveu sempre no Estado com a ideia de amigos e de favores”

Mas, para além da conferência, esta ideia de frente direita – até porque se apresenta como candidato agregador da direita em Lisboa – faz-lhe sentido? Ou seja, a direita deve juntar-se e tentar formar uma frente de direita ou o tempo é antes de cada partido reforçar a sua identidade e tentar valer por si?

Penso que, numas eleições autárquicas e aquilo que temos em Lisboa e aquilo que existe no nosso sistema eleitoral é que ganha a pessoa que tem mais um voto e, por isso, aquilo que nós temos aqui em Lisboa vai ser uma batalha – podemos chamar assim – entre Carlos Moedas e Fernando Medina. Portanto, há realmente uma necessidade de que as pessoas que estejam cansadas de 14 anos de uma governação da Câmara Municipal por um presidente como Fernando Medina tenham uma alternativa e eu represento essa alternativa.

De certa forma, é preciso que todas as pessoas que não se identifiquem com a governação que temos vivido de Fernando Medina que votem em mim para poder ter uma alternativa e, nesse caso, só há dois lados.

Está a dizer-me que para umas eleições autárquicas isto faz sentido. Pensaria diferente numas eleições legislativas? Isso que está a dizer de mais um voto é a grande diferença entre as eleições autárquicas e as eleições legislativas.

Se a pergunta é se faz sentido ou não um partido como o Chega estar nessa frente de direita, eu fui muito claro na maneira como falei sobre essa situação. Não penso que o Chega se identifique com a maneira como vejo uma cidade, mas também com o que penso que um país deve ser: inclusivo, com diversidade, com pessoas de diferentes religiões, com essa tolerância.

A minha pergunta é, além do Chega e além de Lisboa, faz sentido congregar numas eleições autárquicas mais do que faria sentido congregar para umas legislativas?

Matematicamente, sim. Agora, é preciso congregar não só os partidos, mas sobretudo as pessoas que deixaram de acreditar, as pessoas que já não votam porque não conseguem ver uma alternativa e nós temos aqui esta congregação que eu quero construir e que vai muito para além dos partidos.

Ou seja, os partidos são importantes, toda essa frente que fala de centro e de centro-direita é importante, mas mais do que isso são os descontentes, as pessoas que deixaram de acreditar que Lisboa pode ser uma cidade muito melhor, que podemos ter uma cidade com muito mais ambição.

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