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​PSD admite que pode haver incompatibilidade na nomeação de Costa e Silva

01 jun, 2020 - 18:20 • Pedro Mesquita

O presidente do Conselho Estratégico Nacional do PSD considera que existem tópicos delicados, como o ambiente e a energia, uma vez que António Costa e Silva é gestor da petrolífera Partex.

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Pode haver incompatibilidades na nomeação de António Costa e Silva pelo Governo para preparar o programa de recuperação económica, admite o presidente do Conselho Estratégico Nacional do PSD, Joaquim Miranda Sarmento, em entrevista à Renascença.

O dirigente social-democrata considera que existem tópicos delicados, como o ambiente e a energia, uma vez que António Costa e Silva é gestor da petrolífera Partex.

“Se ele for lidar com matérias de energias, essas questões poderão colocar-se. Não estou a dizer, à partida, que se colocarão, mas poderão colocar-se. Noutras matérias acho que não, porque as pessoas têm as suas carreiras profissionais e vão ocupando lugares diferentes”, afirma Joaquim Miranda Sarmento.

Questionado se a questão energética pode ficar de fora de um plano de recuperação económica, o presidente do Conselho Estratégico Nacional do PSD considera que não, mas é preciso saber que papel terá Costa e Silva.

“Qualquer programa estratégico para esta década tem de, obviamente, considerar as questões de ambiente, energia e sustentabilidade. Agora, como é que o Governo vai organizar esse trabalho e que papel o engenheiro António Costa e Silva vai ter, isso só nas próximas semanas ou meses saberemos”, sublinha.

Nesta entrevista à Renascença, Joaquim Miranda Sarmento fala numa situação “delicada”, uma vez que Costa e Silva, como gestor da Partex, tem “um interesse específico em matérias de energia e ambiente”.

“Ele é CEO de uma empresa petrolífera que, tendo em conta as notícias, há algum tempo atrás desistiu da exploração de petróleo [na costa portuguesa], porque o Governo não quis avançar. O engenheiro António Costa e Silva foi extremamente crítico deste Governo por causa dessa decisão, vamos ver como o Governo e ele gerem essa tensão e quando conhecermos o programa e o papel do engenheiro António Costa e Silva poderemos avaliar se houve uma incompatibilidade ou não”, argumenta o presidente do Conselho Estratégico Nacional do PSD.

O dirigente social-democrata defende que tem de ficar “muito claro” qual o papel que Costa e Silva terá no desenho do programa de recuperação económica, nomeadamente, na parte de energia, ambiente e se houver opções que lhe digam respeito na Partex”.

O líder do PSD disse esta segunda-feira que não é da sua conta quem é que o Governo chama para colaborar na elaboração do plano de recuperação da economia, mas avisa que só debate com ministros. Rui Rio mostra-se admirado com a ideia de que Portugal precisa de mais Estado.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, foi informado e respeita a escolha do gestor António Costa e Silva para "uma missão específica" junto do Governo, que referiu que será formalizada por despacho do primeiro-ministro.

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, afirmou, esta segunda-feira, em Setúbal, que o relacionamento institucional dos comunistas continuará a ser feito com os membros do governo, independentemente dos assessores contratados pelo executivo socialista.

“Da parte do PCP, é claro que, em relação ao programa de estabilização, é fundamental que seja discutido na Assembleia da República (…) e, simultaneamente, no plano das relações do Governo com os partidos”, disse o líder comunista durante uma visita a uma escola básica da Brejoeira, em Azeitão, no dia em que as crianças do pré-escolar regressaram à escola.

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