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Rui Rio: “Será justo criticar Neto de Moura?”

09 mar, 2019 - 18:10 • João Carlos Malta

Nova publicação do líder social democrata no "Twitter" sobre o caso do juíz da Relação do Porto. Desta vez faz duas perguntas de retórica.

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O presidente do PSD, Rui Rio, voltou a usar a rede social Twitter, para falar do caso Neto de Moura e as decisões do juiz desembargador da Relação do Porto, para fazer duas perguntas.

“Será justo criticar apenas um juiz desembargador por causa de uma sentença que é da responsabilidade de mais do que um?”

A outra questão é: “E será correto o Cons. Sup. da Magistratura também se esquecer desse facto, e centrar a sua avaliação apenas naquele que é alvo de visibilidade mediática?”

Na semana passada ficou a conhecer-se que o juiz Neto de Moura vai deixar de julgar casos de violência doméstica, no seguimento de um pedido foi aceite pelo presidente do Tribunal da Relação do Porto (TRP), Nuno Ataíde das Neves, que justifica a decisão, em despacho, com a necessidade de "preservar a confiança dos cidadãos" na Justiça.

Assim, e no seguimento desta decisão, o juiz desembargador será transferido da secção criminal para a secção cível do mesmo tribunal.

O estado da Justiça

Já antes, Rui Rio tinha-se pronunciado sobre este caso para dizer que tem a esperança de que a polémica que envolve o juiz Neto de Moura demonstre o "real estado da Justiça e do corporativismo fechado" que considera dominar o setor.

"Espero que a polémica em torno de Neto de Moura sirva para se perceber o real estado da Justiça e do corporativismo fechado que o domina. Um aspeto para o qual, ando há muito, muito tempo a apontar", escreveu Rui Rio, numa publicação na conta oficial da rede social Twitter, ao início da tarde.

Num jantar em Oliveira de Azemeis, no sábado, Rio disse que é necessário em conjunto com os outros partidos encontrarem soluções para o combate à violência doméstica.

Rio considerou o Ministério Público um parceiro para resolver este fenómeno, depois de a Procuradora-Geral da República, Lúcilia Gago, ter apelado à necessidade de uma revisão do código de processo penal.

Polémica com mais de ano e meio

Joaquim Neto de Moura, desembargador no Tribunal da Relação do Porto, foi castigado em fevereiro com uma advertência pelo Conselho Superior de Magistratura na sequência de uma polémica sentença de outubro de 2017, em que o juiz faz censura moral a uma mulher de Felgueiras, vítima de violência doméstica, minimizando este crime pelo facto de esta ter cometido adultério.

O magistrado invocou a Bíblia, o Código Penal de 1886 e, até, civilizações que punem o adultério com pena de morte, para justificar a violência cometida contra a mulher com uma moca de pregos.

Noutro caso noticiado recentemente, o juiz decidiu retirar a pulseira eletrónica a um homem condenado a pena suspensa por agressão violenta à mulher. Neto de Moura alegou que os juízes que condenaram o agressor não pediram autorização para lhe aplicar a medida. O agressor rebentou um tímpano à mulher ao soco. De acordo com o relato do advogado da vítima, a mulher “vive escondida, aterrorizada” e teve já de trocar de casa.

O juiz foi alvo de condenação pública por parte de personalidades de vários quadrantes e decidiu avançar com ações em tribunal contra deputados, humoristas, jornalistas e comentadores que “ultrapassaram” a linha vermelha das críticas sobre as polémicas decisões do magistrado em casos de violência doméstica.

Comentários
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  • Cidadao
    13 mar, 2019 Lisboa 13:13
    Não, não é. Querem saber porque as coisas estão como estão, na violência doméstica e não só? Puxem pela memória e reportem-se a 2007 onde a vozearia, alimentada pelo governo de Sócrates, pelo PS e PSD, e por alguns “idiotas úteis” na comunicação social, dizia que os tribunais prendem demais por qualquer bagatela e por consequência o poder político decidiu alargar a possibilidade de suspensão da pena de prisão de 3 para 5 anos, para (dizia-se) facilitar a ressocialização dos condenados e reduzir a sobrelotação nas prisões. Da lista de crimes graves que passaram a admitir pena suspensa, eis alguns exemplos: tentativa de homicídio, violência doméstica com morte da vítima, violação, tráfico de pessoas, escravidão, rapto com tortura, abuso sexual de criança com cópula, lenocínio com menores até 14 anos de idade, roubo violento com arma, tortura com electrochoques, incêndio com benefício económico, espionagem e atentado contra o presidente da república. Consequências? Usem a Net para pesquisar e encontrarão algumas pérolas como estas: "pai que tentou incendiar a casa com os filhos (Coimbra), abuso sexual e prostituição de menor (Ponta Delgada), abuso sexual de menores pelo professor (Beja), peculato e falsificação por autarca (Portimão), abuso sexual de aluna pelo explicador (Viana do castelo), maus tratos a 3 filhas (Vila Real)". Antes de 2007, todos estes arguidos condenados em 5 anos teriam acabado na prisão em vez de andarem com pena suspensa. Depois digam que foi o Juíz ...
  • Civilização em perigo
    10 mar, 2019 Almada 11:41
    Temos um mau jornalismo pois as perguntas que Rui Rio colocou fazem sentido e os jornalistas insistem num discurso tipo cassete. Além disso eles só vêm o que lhes interessa, ou seja há pessoas de primeira e de segunda. Publiquem os argumentos usados pelo tribunal de 1ª instância. Também alguns comentadores deviam ficar calados para não dizerem asneiras!
  • tilio
    10 mar, 2019 lisboa 11:32
    Os juízes cumprem as leis emanadas dos governos e parlamento sancionadas pelos presidentes da republica.Houve atividade conspirativa pra controlar JUSTIÇA e dar visibilidade ao problema por coação de organizações internacionais a nível de diversos países -------pagas por quem???
  • José Matos
    09 mar, 2019 18:40
    O meritíssimo Neto Moura não acertou na escolha da sua carreira...ser-lhe-ia melhor ter optado pela vida religiosa...
  • Maximino
    09 mar, 2019 Óbidos 18:29
    Uma coisa é certa...: a justiça portuguesa "está doente"... E o seu estado..."deixa doentes" os portugueses que "não fazem parte" do grupo de corruptos, vigaristas e ladrões...

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