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Marcelo condecorou Sá Carneiro, D. António Ferreira Gomes e Siza Vieira

25 abr, 2017 - 16:54

O Presidente realçou a ligação que existiu entre Sá Carneiro e o bispo do Porto que foi exilado por ter desagradado ao regime.

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O Presidente da República condecorou esta terça-feira “com emoção”, a título póstumo, o antigo primeiro-ministro Francisco Sá Carneiro e o antigo bispo do Porto D. António Ferreira Gomes, na mesma ocasião em que agraciou o arquitecto Siza Vieira.

Numa cerimónia curta, de menos de 15 minutos, Marcelo Rebelo de Sousa recordou a relação entre Sá Carneiro, agraciado hoje com a Grã-cruz da Ordem do Infante D. Henrique, e António Ferreira Gomes, a quem foi atribuída a Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada.

“É, pois, com emoção que recordo estas duas figuras e a ligação que existiu entre elas, neste aniversário do 25 de Abril. Através das condecorações que hoje lhes atribui, o Presidente da República recorda a contribuição que tiveram e deram ao nosso país”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, na cerimónia que decorreu na Sala dos Embaixadores do Palácio de Belém.

Sobre Siza Vieira, distinguido com a Grã Cruz da Ordem da Instrução Pública, o chefe de Estado disse que condecorá-lo nesta data “é também festejar o 25 de Abril, no que ele representa de cultura democrática, liberdade de criação, inovação e realização”.

“É agraciar um génio multifacetado: de criação mas também de pedagogia, de inventiva mas de serviço de comunidade, de afirmação pessoal mas também militância cívica", destacou Marcelo Rebelo de Sousa, agradecendo a Álvaro Siza Vieira por todos os dias fazer as pessoas acreditarem “um pouco mais em Portugal”.

A condecoração a Francisco Sá Carneiro foi recebida pelo seu filho, com o mesmo nome, e na presença das vice-presidentes do PSD Teresa Leal Coelho e Teresa Morais, do secretário-geral Matos Rosa e de vários deputados sociais-democratas.

O Presidente da República recordou a “tentativa infrutífera” do antigo primeiro-ministro de reformar o regime por dentro e a forma como, na diocese do Porto, “viveu intensamente” os princípios corporizados pelo seu bispo, precisamente D. António Ferreira Gomes.

“Apoiante e protagonista cimeiro da revolução democrática desde antes da primeira hora, deu literalmente a sua vida a Portugal e aos portugueses, contribuindo decisivamente para solidificação do regime democrática, assegurando o pluralismo e alternância do poder e deixando-nos um dos maiores partidos portugueses”, afirmou, referindo-se ao PPD/PSD.

Marcelo Rebelo de Sousa lembrou também a nova relação que Sá Carneiro trouxe com os Estados de expressão portuguesa, salientando que a sua carta a Samora Machel “abriu um novo ciclo na história de Portugal”.

A Ordem do Infante D. Henrique destina-se a distinguir quem prestou serviços relevantes a Portugal, no país e no estrangeiro, assim como serviços na expansão da cultura portuguesa ou para conhecimento de Portugal, da sua História e dos seus valores.

O Presidente da República justificou a condecoração póstuma a D. António Ferreira Gomes no dia de hoje considerando-o “um percursor do que representou o 25 de Abril”.

“Foi há 45 anos que, regressado a Portugal pela mão de Francisco Sá Carneiro [depois de um exílio em Espanha por contestar o regime de Salazar], pronunciou a sua célebre homilia da paz, em que abordou a temática da teologia da guerra, alimentando uma análise que viria a contribuir decisivamente para a Revolução dos Cravos”, defendeu.

Entre o discurso com que encerrou a sessão solene do 25 de Abril na Assembleia da República, ao final da manhã, e a breve cerimónia de condecorações, o chefe de Estado passou mais de uma hora a passear pelos jardins de Belém, hoje abertos ao público.

Como habitualmente, foram muitos os portugueses, crianças e adultos, a quererem tirar uma fotografia com o Presidente da República e aos mais tímidos era mesmo o chefe de Estado que lançava o desafio: “Queres uma foto?”.

Um casal que aproveitou o feriado para visitar o Palácio de Belém pediu a Marcelo “que continue assim e não mude”.

“Perto dos 70 já não se muda”, respondeu o chefe de Estado, que lhes atribuiu “os número 399 e 400” nas fotos tiradas só esta terça-feira.

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  • Mário Guimarães
    26 abr, 2017 Lisboa 10:02
    Marcelo vai a todas ,condecora tudo . Para todos, tem sempre uma medalha nem que seja no bolso das ceroulas. Pode ter sido traidor, pode ter sido controlado pelos serviços secretos franceses contra os interesses de Portugal e consequentemente dos portugueses . Simplesmente ele condecora e pronto. Vai ser canonizado também numa próxima visita Papal (esta é um pouco em cima da hora), com o título de Marcelo "O Medalheiro" ou "O Condecorador de desgraças assumidas".Num caso de corrupção nos Açores ,em Capelas é que eu gostaria que ele condecorasse o Presidente da Câmara e do Governo Regional e nada. Dizem os serviços de Assessoria Jurídica dele que não está dentro das suas competências .Então enviaram para os incompetentes da Procuradoria Geral da República e lá está.Nunca mais aparece outra figura séria como Salazar mas fico à espera .

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