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Contratação de Maria Luís por gestora de dívida debaixo de fogo da esquerda

03 mar, 2016 - 15:58

PS e PCP pedem explicações. Bloco lembra negócios com o Banif da futura empresa da ex-ministra.

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O PCP quer que o Parlamento discuta a contratação de Maria Luís Albuquerque por uma empresa britânica de gestão de dívida. A ex-ministra das Finanças e actual deputada do PSD vai assumir, a partir de 7 de Março, um lugar na administração da Arrow Global. Também o PS e o Bloco de Esquerda apontam dúvidas à contratação.

“Essa contratação oferece-nos sérias dúvidas e o grupo parlamentar do PCP vai colocar à subcomissão de ética essa questão”, disse esta quinta-feira aos jornalistas o deputado Jorge Machado. A subcomissão parlamentar deverá elaborar “um parecer que afira da legalidade” da contratação.

“Há sérias dúvidas relativamente à violação do regime de incompatibilidades e impedimentos dos deputados. Coloca-se também a violação do chamado período de nojo – titulares de cargos públicos quando cessam funções não podem exercer actividades nos ramos que tutelaram”, afirma Jorge Machado.

A contratação já motivou também críticas das deputadas Mariana Mortágua e Catarina Martins. No Facebook, as bloquistas escreveram que a notícia deverá ser entregue “ao cuidado da Comissão de Inquérito ao Banif”.

“Maria Luís Albuquerque acaba de ser contratada como directora pelo grupo Arrow Global, que compra e gere carteiras de dívida de países europeus. Um grupo que teve lucros recorde em 2015, graças a negócios em Portugal e na Holanda. Comprou duas empresas do sector em Portugal, Whitestar e Gesphone, que sabemos estarem envolvidas na compra de activos do Banif”, escrevem.

PS pede "explicações"

O líder parlamentar do PS, Carlos César, disse que a Assembleia da República, através da subcomissão de Ética, deve avaliar a contratação pela Arrow Global de Maria Luís Albuquerque.

"Não é uma situação que possa ser displicentemente tratada. Terão de existir explicações sobre essa matéria", vincou César, que falava à margem de uma visita à feira de turismo BTL. E prosseguiu: "Uma coisa é certa: a AR deve apreciar, no âmbito da sua [sub]comissão de ética, essa conformidade", até porque é importante haver uma "definição clara" dos interesses dos políticos.

Para Carlos César, tem de haver uma "separação entre aquilo que tem de ser separado em abono da qualidade e transparência" da vida política.

Maria Luís, que vai ser administradora não executiva da Arrow Global, defende-se, criticando o "aproveitamento político-partidário" do assunto.

Comentários
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  • Pinto
    04 mar, 2016 Custoias 22:27
    Esta Maria devia ir para o saco, então roubar ou prejudicar o país não é crime?
  • João Lopes
    04 mar, 2016 Viseu 08:35
    A invejita dos "irmãos" marxistas/comunistas veio ao de cima…
  • Claro!
    03 mar, 2016 pt 16:49
    E não é caso para menos! Isto é vergonhoso e de um descaramento total! Esta "senhora" nunca me enganou. A hipocrisia, no minimo, impera!
  • maria
    03 mar, 2016 lisboa 16:31
    A Esquerda tem medo de quê?

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