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Avenida de Ceuta

"Parece o Casal Ventoso". Alcântara e Campo de Ourique escrevem carta a Moedas

05 fev, 2024 - 07:00 • Tomás Anjinho Chagas

“Se a Web Summit fosse nesta zona já estava resolvido”. Presidente da JF Alcântara assina carta aberta preocupado e critica estratégia seguida por CML e Governo.

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Preocupados com o aumento do consumo de droga na Avenida de Ceuta, em Lisboa, os presidentes da Junta de Freguesia de Alcântara, Davide Amado, e de Campo de Ourique, Pedro Costa (filho de António Costa), enviaram uma carta aberta ao presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas e ao ministério da Administração Interna.

No documento a que a Renascença teve acesso, os responsáveis socialistas alertam para o “aumento do número de pessoas a realizarem consumo de substâncias psicoativas a céu aberto” e pedem medidas com “caráter de urgência” para esta área da cidade de Lisboa que antes era ocupada pelo bairro do Casal Ventoso- já na altura conhecido pelo consumo de drogas.

Estamos perante um novo Casal Ventoso”, alerta Davide Amado, que afirma que o nível de resposta é o mesmo há vários anos apesar de o problema se acentuar. “É um grito de alerta”, admite em declarações à Renascença.

A carta destina-se a cinco responsáveis: Carlos Moedas, presidente da CM Lisboa; José Luís Carneiro, ministro da Administração Interna; João Goulão, presidente do SICAD (Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências); Ana Vasques, presidente do Instituto da Segurança Social; e Luís Goes Pinheiro, presidente da AIMA (Agência para Integração, Migrações e Asilo).

O grito de alerta é também assinado por várias associações que trabalham no terreno com as pessoas com problemas de toxicodependência.

No espaço público, acumulam-se seringas e outros materiais descartáveis associados ao consumo de substâncias psicoativas, colocando em risco a saúde púbica, seja dos próprios utilizadores de substâncias psicoativas, como de todas as pessoas que desenvolvem o seu quotidiano nestes espaços (moradores, estudantes, trabalhadores, transeuntes)”, pode ler-se no documento.

O autarca de Alcântara lamenta a falta de coragem política para resolver o problema: “Se a Web Summit fosse nesta zona o problema estava menorizado ou até já estava resolvido”, atira Davide Amado.

Mesmo sendo do PS, não poupa o atual governo, garantindo que “tem havido uma negligência por parte de quem tem capacidade de resposta”. E esclarece quem são os alvos das críticas: “a CML e o governo também, obviamente”.

O problema detona uma outra crise: há cada vez mais pessoas em situação de sem-abrigo que montam tendas nas margens da Avenida de Ceuta e por lá pernoitam.

A juntar ao diagnóstico, os autarcas de Alcântara e Campo de Ourique assinalam os “vários relatos de residentes sobre o nível de medo e perceção de insegurança”, nesta zona.

Comentários
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  • Luís Alcântara
    06 fev, 2024 Albufeira 23:27
    Olá boas ,eu nasci e fui criado no casal ventoso, quando os nossos políticos pensavam que acabar com o casal ventoso que acabava a droga e os toxicodependentes pois enganaram-se ,porque isso nunca vai acabar!!foi como acabarem com o bairro sem pedirem opinião de quem lá viviam mas enfim os políticos é que estudaram os outros são todos burros, podiam acabar com o casal ventoso mas não era assim, está é a minha humilde opinião..um bem haja para todos, e nunca mas nunca se esqueçam antes de a droga existir no casal ventoso com muita dificuldade ou com poucas éramos todos felizes, podem fazer um inquérito às pessoas que viviam lá!!!!beijinhos e abraços 💚💪c.v sempre..
  • Ana Paula Remédio
    06 fev, 2024 Alcântara 07:20
    Isto é o maior caos presente, é uma degradação total Tem que ser feito alguma coisa
  • Jose Carlos Fonseca
    05 fev, 2024 Maia 16:11
    Podem explicar porque colocam em cc o responsável da AIMA.
  • Timbo Caspite
    05 fev, 2024 Lisboa 15:01
    É fato que este cenário trágico na Av. de Celta não é de hoje. Nota-se já a mais de 3 anos a movimentação de toxicodependente, juntamente com a distribuição da metadona. Culpar A ou B é muito mais fácil que tratar do problema. O Estado português não tem condições de cuidar das suas resposabilidades como infraestrutura, saúde, educação, habitação, segurança pública... Contudo, sem estes pontos alinhados, em ordem, dificulmente o capital estrangeiro chega ao País. A máxima dos governos socialistas é a manutenção do poder, arrumar verba para fazer coisas para não fazer e mais verbas para fazer as coisas que outrora não fez... Nisto o cidadão mal preparado, refém de um sistema educacional frágil, sem uma estrutura familiar forte, acha uma fuga em drogas como vemos na Av. de Celta. É um retrato claro e simples da situação caótica que se encontra o cenário político português: literalmente uma droga.
  • ze
    05 fev, 2024 aldeia 14:05
    Como estes "governos de esquerda/socialistas", transformaram Lisboa e quase todo o país.Uma tristeza e uma vergonha para quem anda e assiste a cenas destas.
  • Vítor Manuel Soares
    05 fev, 2024 Lisboa 10:43
    Estou de acordo com o conteúdo da carta aberta.

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