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Um em cada cinco portugueses vivia abaixo do limiar da pobreza em 2021

17 out, 2023 - 01:18 • Marisa Gonçalves com Redação

Dados da Pordata revelam que entre os grupos mais vulneráveis está a população idosa e que o risco de pobreza aumentou nas famílias com dois adultos e duas crianças. 18,5 % das crianças e jovens vivem em situação de pobreza.

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Os dados mais recentes da Pordata, a base de dados estatísticos da Fundação Francisco Manuel dos Santos referentes a 2021 revelam que Portugal tinha, nesse ano, 1,7 milhões de pessoas a viver abaixo do limiar da pobreza.

O número é o equivalente a 17 % da população do país e significa que um em cada cinco portugueses é pobre, em 2021.

Em Portugal, o valor abaixo do qual alguém é considerado pobre situava-se, nesse mesmo ano, nos 551 euros mensais, o que coloca o nosso país entre as nações mais pobres da União Europeia.

A população idosa continua a ser das mais vulneráveis, no entanto, há outro segmento de risco referente à pobreza e que corresponde a famílias com dois adultos e duas crianças, adianta à Renascença Luísa Loura, Diretora da Pordata.

“É uma situação que afeta principalmente a população idosa, aquela que não fez os descontos durante a sua época de trabalho e, por isso, tem pensões muito baixas. Depois temos uma população jovem que inclui adultos jovens e crianças abaixo dos 15 anos e que representam famílias em que todos os elementos são pobres porque o rendimento que a família recebe mensalmente é extremamente baixo”, aponta.

“Pais pobres com filhos pobres é um grupo que não deveria ter a dimensão que tem. São 19 por cento das crianças até aos 15 anos que vivem em agregados familiares pobres”, acrescenta.

Os dados da Pordata revelam ainda que em 2021, e tendo por base as declarações de IRS entregues todos os anos pelos agregados fiscais, mais de um terço dos agregados (36%) viviam, no máximo, com 833 euros mensais.

Inflação e guerra na Ucrânia prejudicam capacidade das famílias

Os números compilados pela Fundação Francisco Manuel dos Santos permitem verificar também que a população portuguesa tem perdido poder de compra.

Mais de metade das despesas das famílias vai para bens essenciais e a guerra na Ucrânia veio agravar o cenário.

“Quando comparamos o mês de janeiro de 2022, antes do início da guerra na Ucrânia, com os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística, de setembro, vemos que o cabaz de compras aumentou de preço cerca de 12,2%, em média. Ora, a maioria das pessoas não tive aumentos deste nível. Nos bens alimentares houve mesmo um aumento de 22 %”, especifica Luísa Loura.

Em 2022 registou-se a taxa de inflação mais elevada dos últimos 30 anos.

Já quanto ao setor da habitação, os dados estatísticos da Fundação Francisco Manuel dos Santos mostram que o preço das casas aumentou 90% em relação a 2015, quando os salários aumentaram 20%, estando Portugal entre os quatro países da União Europeia com maior aumento dos preços das casas.

Em 2022, quase um terço dos inquilinos estava em situação de sobrecarga financeira com as despesas de habitação.

Estes são apenas alguns dos dados da Pordata revelados neste que é o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza.

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