Siga-nos no Whatsapp
A+ / A-

OE2024

Setor estranha silêncio sobre educação na apresentação do Orçamento. "Cada um chuta para o outro lado"

10 out, 2023 - 20:31

Filinto Lima lamenta que “uma área que está em polvorosa” tenha ficado à margem da apresentação da proposta do Orçamento do Estado feita esta tarde pelo ministro das Finanças, que também ignorou as perguntas que os jornalistas fizeram sobre o sector da Educação.

A+ / A-

O ministro das Finanças, Fernando Medina, apresentou esta terça-feira a proposta de Orçamento do Estado para o próximo ano (OE2024), mas passou ao lado da educação, “uma área que está em polvorosa”, nas palavras do presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP).

Filinto Lima admite, à Renascença, que ficou “admirado, porque nós todos achamos que a educação é um baluarte de qualquer Estado democrático e deverá ser uma grande opção de qualquer Governo”. Este responsável espera que "isto não seja o prenúncio do escasso investimento, que não interessa às escolas nem à educação".

Filinto Lima recorda que os diretores das escolas públicas estão “a pedir de há uns anos a esta parte que o Ministério das Finanças invista fortemente, nomeadamente nos seus recursos humanos”.

O líder da ANDAEP tem a expectativa que, “em sede de discussão setorial, seja dada a devida relevância” à Educação, acrescentando que seria positivo que fossem “dados passos concretos na valorização da carreira docente nomeadamente debater os seis anos, seis meses e 23 dias de carreira congelada”, considerando “grave” que esta “questão fraturante entre Ministério da Educação e sindicatos não tenha um fim à vista”.

“É natural que o ministro das Finanças não tivesse nada para dizer” - Fenprof

O setor da educação esteve à margem das quase três horas que demorou a sessão de apresentação da proposta de OE2024 no Ministério das Finanças, um facto que não surpreendeu o secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof).

Em declarações à Renascença, Mário Nogueira diz que só vem confirmar que o Governo não tem uma ideia para o setor, sublinhando que “é natural que o ministro das Finanças não tivesse nada para dizer sobre a Educação”.

O líder da Fenprof considera “curioso, porque o ministro da Educação ontem não quis falar sobre o assunto e disse que senhor ministro das Finanças daria as novidades e agora o ministro das Finanças também não dá”, o que leva Mário Nogueira a questionar “se agora vão dizer que é o primeiro-ministro, não é?”

Este dirigente sindical acrescenta que “cada um chuta para o outro lado, porque sabem que o que ali está é rigorosamente nada em termos de investimento, de soluções ou de verba para poder, pelo menos, começar a dar resposta aos problemas” da escola pública. Mário Nogueira insiste que “não há ali nada que que vá nesse sentido e, portanto, o ministro das Finanças não tinha com certeza nada para dizer”.

Ao olhar para o documento apresentado, este responsável diz que o que “o aumento que ali existe da despesa, é o aumento do valor da inflação, o que quer dizer que é para manter a mesma coisa, ou seja, para manter um valor que não dá resposta aos problemas”, lamentando que também se vê “um grande título a falar sobre a atratividade dos professores e a necessidade de tomar medidas, mas depois não tem medida nenhuma”.

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

Destaques V+