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Investigação pode reduzir escassez de órgãos para transplante

07 jul, 2023 - 13:57 • Lusa

Nova FCT fala num “momento de viragem”.

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A preservação de órgãos humanos para transplantes ficará mais fácil devido a uma investigação de um doutorando da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT) da Universidade Nova de Lisboa, indicou esta sexta-feira o estabelecimento de ensino.

O trabalho de Bruno Guerreiro “possibilita, pela primeira, vez o controlo do processo de criopreservação ao nível da nucleação, permitindo que órgãos para transplante aguentem mais tempo em trânsito, ou sejam armazenados em biobancos de órgãos”, refere um comunicado da Nova FCT.

Publicada com o título de “Enhanced Control over Ice Nucleation Stochasticity Using a Carbohydrate Polymer Cryoprotectant”, a investigação demonstra a possibilidade de “controlar o processo de criopreservação ao seu nível mais fundamental”, permitindo que os órgãos para transplante possam “suportar mais tempo em trânsito, mas também em biobancos”, ajudando assim a “mitigar o problema da escassez de órgãos em hospitais”.

“Podemos agora preservar tecidos e órgãos com maior qualidade, a temperaturas mais acessíveis e durante muito mais tempo”, diz Bruno Guerreiro, citado no comunicado.

“Na maioria dos casos, um paciente dador cede um órgão numa altura que não coincide com o momento em que um paciente precisa de transplante por isso temos de ter os meios para o preservar. Atualmente, a procura por transplantes excede em 10 vezes a oferta, e são poucos os que associam esse problema à inexistência de um sistema eficiente de preservação de órgãos”, assinala.

Tendo em conta o potencial do trabalho desenvolvido, o investigador recebeu apoio financeiro do Programa Fulbright Portugal, da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD) e da Companhia de Biólogos para colaborar com a Universidade da Califórnia, Berkeley.

Segundo a Nova FCT, a investigação representa “um momento de viragem”.

“Até agora têm sido utilizadas moléculas capazes de controlar os cristais de gelo formados no processo de descida de temperatura (ex. DMSO, glicerol)”, mas “existe sempre um perigo subjacente quando a cristalização realmente acontece”.

Durante o seu trabalho de doutoramento, Bruno Guerreiro descobriu que com o “FucoPol, um polissacárido rico em fucose (…) é possível reduzir significativamente aquele perigo”.

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