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Carris Metropolitana

Problemas persistem, quase um mês após a entrada em funcionamento no norte da Área Metropolitana de Lisboa

23 jan, 2023 - 08:10 • João Cunha

Horários por cumprir, falta de motoristas, novas rotas que os utentes desconhecem e falhas na informação. A Carris Metropolitana entrou em funcionamento nos concelhos da Área Metropolitana de Lisboa a norte do Tejo no dia 1 de janeiro e em todos esses concelhos há problemas que tardam a ser resolvidos. Como em Oeiras.

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Mais um dia de trabalho para Carlos Fernandes, que chega à pequena praça frente à estação ferroviária de Oeiras, manhã bem cedo, para apanhar o autocarro de regresso a casa, depois de uma noite de trabalho. O transporte tarda em chegar.

"O serviço é péssimo, os horários não são cumpridos e as carreiras não são feitas, muitas vezes".

Num destes fins de semana, em que trabalhou, Carlos esperou mais de uma hora para chegar a casa, à noite.

"Tentei apanhar um dos autocarros de duas carreiras, que partiam de meia em meia hora, segundo os horários afixados nas paragens. Esperei mais de uma hora e nenhum se realizou. Tive de ir a pé para casa".

Ainda não foi a pé para o trabalho, mas António Terêncio, outro utente diário, revela que a experiência "não tem sido muito boa".

"Há falha de autocarros e desorganização nos trajetos. Piorou. De momento, acho que é o caos", diz este habitual utente, enquanto anda na fila que começou a entrar no autocarro que acaba de chegar. Antes de entrar, acrescenta que "falta levar em conta a necessidade dos utentes".

Do mesmo se queixa um outro habitual utente, que há mais de meia hora está abrigado da chuva que não pára de cair numa paragem próxima.

Há uns meses que todos os dias sai de Queluz, chega a Oeiras e apanha um autocarro para São Domingos de Rana, onde trabalha. Até ao final do ano passado, lá chegava a horas. Mas desde a entrada em funcionamento da Carris Metropolitana que Iossik Albuquerque chega atrasado. Tantas vezes que receia perder o emprego.

"Chego a ficar receoso de perder o emprego, porque há quatro meses que lá estou e todos os dias há atrasos. Meia hora, quarenta minutos, uma hora. Para mim, isso é um absurdo", lamenta.

"Havia dez autocarros parados e nenhum queria sair. Nos reclamámos com os motoristas e disseram-nos que não saiam porque não estavam no horário".

Entre muitos utentes á clara a falta de informação sobre as novas carreiras e horários - todos afixados no interior das paragens, para que os utentes as consultem. Teresa Dias já percorreu pelo menos quatro das paragens, para consultar os horários. Usa autocarro em Oeiras apenas três dias por mês. Admite que nem sequer sabia desta nova Carris Metropolitana. Admite que nem sequer sabia da nova Carris Metropolitana.

"Não, não sabia. Eu apanhava os outros autocarros antigos e não sabia que já tinham sido atualizados para esta nova empresa".

Consulta a aplicação da Carris Metropolitana, onde existe um conversor de rotas, para saber qual o numero atual da antiga carreira. Consulta o horário e toma uma decisão: "Vou apanhar um taxi. Estou aqui há 40 minutos". E lá prescinde de pelo menos 10 para pagar a bandeirada do taxi, para conseguir chegar a horas ao seu destino...

Mas nem todos estão mal informados. Só que mesmo os que estão, como Patricia Castro, têm razões de queixa.

"No primeiro dia vim mais cedo, para me inteirar das paragens, porque sabia que ia mudar. Já apanhei motoristas que eram muito simpáticos, mas que não sabiam as rotas. Não se cumprem horários. Há autocarros montes de vezes aqui parados, mas eles não têm motoristas".

Transportes Metropolitanos de Lisboa admite correções para melhorar o serviço

Contactada pela Renascença, a Transportes Metropolitanos de Lisboa, que gere os transportes públicos rodoviários na Área Metropolitana de Lisboa, revela que tem estado a fazer ajustes e acertos diários que ainda não chegam para melhorar consideravelmente a mobilidade a milhares de utentes.

Rui Lopo, administrador da Transportes Metropolitanos de Lisboa, garante que tudo fará para resolver os problemas identificados e reportados pelos habituais utentes, através das linhas telefónicas ou dos e-mails disponíveis.

E espera que até ao final do mês uma das principais dificuldades - conseguir motoristas para trabalhar - seja minorada... E sublinha que muitos dos problemas de hoje decorrem de problemas por resolver no passado...

"Muitas das situações que no passado estavam por resolver estão a ser agora colocadas como sendo um problema da entrada em funcionamento da Carris Metropolitana. Que seja, desde que sirva para resolver o problema às pessoas, que seja", sublinha Rui Lopo.

Outros problemas, de escala muito micro, são necessidades de acertos de horários em escolas. E depois, um dos principais problemas é a necessidade de recursos humanos. De motoristas.

"Do que temos conversado com os operadores, são questões que até ao final do mês de Janeiro vão tendencialmente melhorando", assegura o administrador da Transportes Metropolitanos de Lisboa.

Rui Lopo pede que todos os problemas detectados pelos utentes sejam comunicados, para que possam ser melhorados.

"Que nos façam chegar, o mais possível, as questões que considerem que são necessárias corrigir, para que no ambito do contrato que entrou em vigor a 1 de janeiro, nós possamos dar indicações ao operador para corrigirem, e certamente serão corrigidas".

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  • André
    23 jan, 2023 Marisol -Almada 09:04
    Quem definiu as rotas foi algum jovem que nunca andou nos autocarros. Existiam 25 partidas diarias daqui para Lisboa. Olhando para os passes é verdade que mais de metade dos passageiros entram da Charneca para a frente. Quem definiu as carreiras colocou 8 carreiras a começar da mesma paragem na Charneca. Para Lisboa e Almada ha horas que a paragem para 1 autocarro tem 6 parados a provocar o caos total no trânsito pois ocupam uma faixa de rodagem. Quando partiam da Qta de Valadares nunca existiu qualquer problema e o número de carreiras era o mesmo. O mesmo para a rota Marisol - Almada que parte dali e a que parte da Qta de valadares passa à frente fazendo mais 5km, pois o percurso nunca tem ninguém, passando perto de uma futura urbanização planeada para 2028. Quem alterou o percurso não conhece o local. Valia mais o sistema antigo, que servia a mesma população muito melhor.

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