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​Alterações climáticas. Especialistas defendem nova forma de cálculo do PIB e energia mais eficiente

27 out, 2022 - 00:03 • Filipa Ribeiro

Mais do que a descarbonização, é necessário pensar na transformação da energia para que esta seja mais eficiente de forma a não colocar em causa a economia. Atual crise atual no setor energético pode servir como exemplo para a forte dependência da economia em relação à energia.

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Desde sempre que a economia está dependente do uso de energia. De acordo com o professore e investigador na área de energia e ambiente do Instituto Superior Técnico, Tiago Domingo, “em 150 anos o recurso a energia para produzir valor económico foi sempre o mesmo”. Por isso e tendo em conta a importância dada ao crescimento económico, Tiago Domingos defende que mais que a descarbonização é necessário pensar na transformação da energia para que esta seja mais eficiente de forma a não colocar em causa a economia.

Durante o ciclo de conferências Mudar, na Culturgest, o investigador do Instituto Superior Técnico defende ainda que o que se entende por PIB deve ser reestruturado.

A crise atual no sector energético pode servir como exemplo para a forte dependência da economia em relação à energia. No mesmo debate sobre os desafios energéticos e económicos, o economista britânico e investigador da Universidade de Leeds, David O’Neill, recordou que o resultado do corte que está a ser feito no consumo energético está a resultar em recessão.

Para o investigador britânico a solução passa por se fazer uma gestão da economia sem que o objetivo seja o crescimento, mas sim as necessidades humanas.

Daniel O’Neill considera que em breve o crescimento vai ficar estagnado porque as novas economias e invenções como o Facebook e os telemóveis não são tão transformadoras para a economia como a produção de eletricidade ou automóvel e por isso defende que o objetivo deve ser trabalhar para conseguir uma sociedade com índices mais elevados de bem-estar, sem recorrer a demasiados recursos energéticos.

De acordo com um estudo feito pelo britânico que recorreu à teoria económica do Donut, Portugal à semelhança dos países mais desenvolvidos cumpre o que é necessário para a evolução no campo dos indicadores sociais, mas à custa da transgressão das fronteiras ecológicas, já em países em desenvolvimento como o Sri Lanka acontece o contrário: há bons indicadores ecológicos e mais indicadores sociais. Os países têm dificuldade em satisfazer a sociedade sem exagerar nos recursos, isto porque “nenhum sistema económico está preparado para cortar no consumo de energia”, realçou Daniel O’Neill.

O investigador britânico apresentou um novo modelo económico que se poderá adaptar aos desafios do mundo sustentável que passa por quatro pontos. “Limitar o uso de energia, garantir que não se constrói uma grande diferença entre pobres e ricos, fazer uma alocação eficiente conhecendo bem os mercados e como é que funcionam e alterar o foco do PIB de crescimento para a elevada qualidade de vida, avaliando o que importa para a sociedade como saúde, felicidade e lazer”, explicou.

A ideia atual de crescimento económico de acordo com Daniel O’Neill não representa o bem-estar da sociedade, uma vez que o PIB cresce sempre que um petroleiro se afunda e é preciso pagar a limpeza das águas ou sempre que sobe o número de fumadores, porque se vendem mais cigarros”, exemplificou.

David O’Neill lamenta que atualmente ainda se tomem decisões tendo por base o crescimento e a produtividade que de acordo com o economista “não são boas para a sociedade nem para o planeta”.

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