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Ordem dos Médicos avisa que concentração de meios nas maternidades "só funciona nas grandes cidades"

16 set, 2022 - 19:25 • Hugo Monteiro com Redação

O Bastonário da OM lembra ainda que a reforma a ser feita terá de levar em conta as expetativas das próprias grávidas. Já a Sociedade Portuguesa de Obstetrícia pede que o foco seja a segurança de mães e recém nascidos.

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O Bastonário da Ordem dos Médicos (OM) avisa que a estratégia da concentração de serviços e fecho de unidades para a reorganização da rede de urgências de obstetrícia e blocos de partos "só funciona nas grandes cidades".

A proposta dos peritos vai ser entregue ao ministro da Saúde, logo que Manuel Pizarro tenha disponibilidade, como avança à Renascença, Diogo Ayres Campos, coordenador da Comissão para Reforma das Maternidades.

Em reação, ouvido pela Renascença, Miguel Guimarães reconhece que a concentração de serviços e o encerramento de unidades são caminhos possíveis para resolver a falta de recursos humanos, mas não poderá ser adequada para todas as regiões do país.

"Este caminho de concentração não funciona em Portalegre, não funciona em Beja, não vamos encerrar Bragança e as grávidas vão de Bragança a Vila Real", refere.

"Conseguir alguma concentração de recursos nas maternidades do Grande Porto e na Grande Lisboa é relativamente simples. Mas não é nas áreas mais periféricas", acrescenta.

O Bastonário da OM lembra ainda que a reforma a ser feita terá de levar em conta as expetativas das próprias grávidas.

"A população habituou-se a maternidades que ficam relativamente perto de sua casa. Neste momento, defraudar as expetativas que as grávidas têm, relativo ao seu obstetra e ao seu local maior de conforto é preciso ter em conta. É por isso que isto deve ser transitório, no sentido de tentarmos dar mais capacidade de resposta às maternidades que de facto cumprem os números considerados essenciais para estarem abertas", defende.

"O foco tem de ser a segurança"

A estratégia de concentração é bem recebida pelo presidente da Sociedade Portuguesa de Obstetrícia, que diz , à Renascença, que perante a situação "não haverá outras hipóteses".

No entanto, Nuno Clode aponta que "o foco tem de ser a segurança" dos cuidados a prestar à grávida e ao recém nascido.

O responsável lembra também que esta concentração de blocos de partos já acontece na região Oeste.

"No Centro Hospitalar do Oeste a maternidade é só nas Caldas da Rainha, mas as consultas das grávidas são feitas tanto nas Caldas como em Torres Vedras. Portanto, consultas continuam a ser possíveis, o local onde nasce a criança é que é só um", indica.

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