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Arranca a vacinação contra a covid-19 e a gripe. Quem pode ser vacinado, onde e quando?

07 set, 2022 - 06:10 • Marta Pedreira Mixão , Anabela Góis

A estratégia de vacinação para o outono-inverno já vai incluir as novas vacinas adaptadas à Ómicron.

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A campanha de vacinação contra a covid-19 e a gripe sazonal arranca esta quarta-feira. O objetivo é imunizar três milhões de pessoas nos próximos meses.

A população com mais de 80 anos será a primeira a ser chamada para a vacinação, em conjunto com as pessoas com comorbilidades. Depois, o processo deverá ser realizado por faixa etária decrescente.

Os utentes elegíveis vão ser convocados para a administração da vacina, por telefone ou SMS, e devem confirmar a presença. Quem não for contactado, deve dirigir-se à respetiva unidade de saúde.

O coronel Carlos Penha-Gonçalves, responsável pelo Núcleo de Coordenação de Apoio ao Ministério da Saúde, diz à Renascença que “as vacinas adaptadas para a covid estão a chegar ao país”, tendo começado a chegar esta semana.

De acordo com a informação anunciada, na terça-feira, pela Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed), Portugal já recebeu cerca de 650 mil doses da vacina Comirnaty (Pfizer), adaptada à variante Ómicron, que será utilizada na campanha de vacinação contra a covid-19 que arranca hoje.

Segundo adiantou o regulador, na sexta-feira chegarão as primeiras 110 mil doses da vacina Spikevax, da farmacêutica Moderna, também adaptada à variante Ómicron.

Estas duas vacinas da Pfizer e da Moderna receberam “luz verde” da Agência Europeia do Medicamento (EMA), a 1 de setembro, e podem ser administradas em pessoas a partir dos 12 anos para reforço da imunização contra o SARS-CoV-2.

“Durante o mês de setembro, semanalmente teremos o fornecimento de vacinas adaptadas. Vão chegar em número suficiente para fazermos o processo”, realça o coronel Penha-Gonçalves.

Questionado sobre o número de pessoas a serem vacinadas, o coronel indicou que é estimado que se trate de “um universo de três milhões de pessoas” a “vacinar nos próximos 100 dias”.

Que grupos vão ser vacinados contra a covid-19?

  • Pessoas com 60 ou mais anos de idade;
  • Residentes ou profissionais de Estabelecimentos Residenciais Para Idosos (ERPI) e na rede nacional de cuidados continuados;
  • Pessoas com 12 ou mais anos de idade com patologias de risco definidas pela norma publicada pela Direção-Geral da Saúde (DGS);
  • Grávidas com 18 ou mais anos de idade com doenças também já definidas;
  • Profissionais de saúde e outros prestadores de cuidados.

Que vacina vai ser administrada?

Só estão elegíveis para a toma da nova vacina contra a Covid-19 quem tem, pelo menos, duas doses. Desta forma, as pessoas que já têm o esquema vacinal completo vão receber a nova vacina adaptada à Ómicron, desde que tenham, pelo menos, três meses de intervalo desde a última dose ou infeção.

Na conferência de imprensa para anúncio do plano de vacinação, a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, já tinha referido que as pessoas elegíveis para esta vacina "fazem apenas esta dose, independentemente dos reforços efetuados no passado". Assim, o fundamental é ter feito o esquema vacinal primário, e não os reforços seguintes.

E quem não tem o esquema de vacinação primário completo?

Na vacinação primária - para aqueles que não levaram as duas primeiras doses - contra a covid-19, continuarão a ser utilizadas as vacinas originais que integram o Plano Nacional de Vacinação que arrancou em 27 de dezembro de 2020.

Vacina da gripe sazonal

Enquanto decorre a campanha de vacinação contra a covid-19, será também realizada a campanha de vacinação gratuita contra a gripe sazonal.

A inoculação destas duas vacinas deve, de acordo com a DGS, ser feita ao mesmo tempo - uma no braço direito e outra no braço esquerdo.

Na antevisão do início da campanha, o coronel Penha-Gonçalves indica que, “para a gripe, o universo é ligeiramente mais reduzido, são cerca de 2,2 ou 2,3 milhões de pessoas para vacinar”.

Quem está elegível para a vacina da gripe?

  • Pessoas com 65 ou mais anos de idade;
  • Residentes e profissionais em ERPI e na Rede Nacional de Cuidados Continuados;
  • Pessoas a partir dos seis meses de idade com patologias de risco, definidas pela norma da DGS;
  • Grávidas, sem limite de idade;
  • Profissionais de saúde e outros profissionais prestadores de cuidados.

Vacina mais potente

Em declarações à Renascença, o responsável pelo Núcleo de Coordenação de Apoio ao Ministério da Saúde reitera a informação avançada por Graça Freitas, que indicou anteriormente que o processo de vacinação da gripe iria ter uma novidade: uma vacina contra a gripe de dose elevada.

“Há uma vacina específica, de alta dose, que vai ser administrada a pessoas que estão em mais alto risco, que foram consideradas as pessoas que vivem em lares e noutras instituições similares”, explica Penha-Gonçalves, acrescentando que há cerca de 129 mil vacinas da gripe de alta dose.

Estas vacinas apresentam uma composição antigénica quatro vezes superior à fórmula-padrão e com eficácia superior.

Em que locais ocorrerá a vacinação?

Os utentes começaram a ser convocados na passada sexta-feira para comparecerem nos centros de vacinação abertos no primeiro dia da campanha. No total, são 13 distribuídos por todo o país - Braga, Gondomar, Porto, Aveiro, Pombal, Amadora, Cascais, Vila Franca de Xira, Ajuda, Carnaxide, Mafra, Évora e Tavira.

Já a partir da próxima semana, a campanha de vacinação sazonal deverá aumentar o ritmo, sendo expectável que se encontrem a funcionar 397 centros, com uma média diária de 20 mil a 30 mil inoculações diárias, sendo que os centros de saúde também vão poder vacinar.

“Neste momento, o dispositivo que temos tem 397 locais de vacinação. Cerca de dois terços são centros de saúde e um terço são centros de vacinação, à semelhança do que aconteceu nas fases anteriores. Todos estes centros estão em processo de agendamento e, nos próximos dias, todos eles estarão a operar e a vacinar”, explica o responsável pela campanha de vacinação sazonal.

Carlos Penha-Gonçalves avança ainda que está a ser elaborado “um protocolo com as farmácias para que as pessoas que prefiram ser vacinadas gratuitamente nas farmácias o possam fazer com uma vacina do SNS”.

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