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Incêndios

Portugal com maior percentagem de área ardida na Europa

16 ago, 2022 - 20:15 • Teresa Almeida , Diogo Camilo

Quase 1% de todo o território português ardeu nos primeiros sete meses do ano. Climatologista Carlos da Câmara defende que o país continua a ter uma “dependência excessiva das condições meteorológicas” no combate a incêndios.

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Portugal é o país com maior percentagem de área ardida na Europa em relação à dimensão do país, indicam os dados do Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais (EFFIS).

A área ardida no país desde janeiro já ultrapassou os 84 mil hectares de mato e floresta. Portugal está no topo da percentagem de área ardida e é o terceiro com maior área ardida, atrás de Roménia e Espanha.

Os números do Sistema de estimativas do Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais apontam para mais de 700 mil hectares queimados, fazendo deste o segundo pior ano de incêndios no continente desde que há registo.

No entanto, em declarações à Renascença, o climatologista Carlos da Câmara defende que a leitura tem de ser feita normalizando a área total e, nesse capítulo, Portugal está em primeiro lugar, registando a maior percentagem de área ardida este ano.

Quase 1% de todo o território português ardeu em 2022, com o país a aproximar-se da média nacional de 1,05%. Neste capítulo, Roménia e Espanha surgem muito abaixo de Portugal, com 0,6% e 0,5%, respetivamente.

A área ardida este ano representa 0,15% da União Europeia e corresponde a quase o triplo do tamanho do Luxemburgo ou 10% da Irlanda.

Nenhum outro ano tinha visto uma quantidade tão elevada de terra queimada na Europa até meados de agosto.

A área ardida em Portugal até está terça-feira já triplicou a de todo o ano passado, quando arderam cerca de 26 mil hectares, mas muito abaixo da área ardida no pior ano do país no que diz respeito a incêndios: 2017, quando arderam 564 mil hectares, mais de metade de toda a área ardida na Europa nesse ano.

Até esta terça-feira foram queimados mais de 84 mil hectares de mato e floresta, fazendo de 2022 o 4.º ano com maior área ardida da última década. Apenas os anos de 2017, 2016 e 2013 registaram um maior território queimado. Ainda assim, este ano está para já foram do top10 de anos com maior área ardida.

O ano de 2017 foi o pior em termos de área ardida em Portugal, quando as chamas destruíram 564 mil hectares, com o incêndio em Seia, no distrito da Guarda, a ser o incêndio com mais hectares ardidos (mais de 43 mil).

Segundo o ICNF, mais de 27 mil hectares arderam nos incêndios de Pedrógão Grande.

Só dois anos conseguem equiparar-se à área ardida neste ano, quando foram queimados 426 mil hectares em 2003 e 338 mil hectares, em 2005.

“Vai ser a natureza a tratar de nós se não tratarmos dela”

Para o climatologista Carlos da Câmara, Portugal continua a ter uma “dependência excessiva das condições meteorológicas” no combate a incêndios e explica que o facto do país ter uma maior percentagem de área ardida pode estar em quem é proprietário dos espaços florestais.

“Há uma diferença entre Espanha e França. É que nestes países o Estado é dono da maior parte das zonas florestadas, ao contrário de Portugal em que a maioria destas zonas de floresta e de mato são distribuídas por pequenos proprietários que não têm nada que os puxe a tratar o que têm”, afirma.

O especialista aponta ainda à Renascença algumas soluções para “mudar o fogo” para outras épocas do ano, como a utilização de fogo controlado e a introdução de gado em zonas específicas.

“Temos que arranjar maneira de termos um novo equilíbrio entre uma meteorologia que se está a tornar mais severa, uma paisagem que se está a tornar completamente diferente e uma nova dinâmica de população, com a migração. Vai ser a natureza a tratar de nós se não tratarmos dela.”

Carlos da Câmara refere ainda que as alterações climáticas “estão a andar a uma velocidade maior daquela a que nós temos mostrado que somos capazes de nos habituar” e que a própria natureza está a “tentar encontrar um equilíbrio que não é aquele que não nos agrada”.

Comentários
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  • Americo
    17 ago, 2022 Leiria 12:55
    Parabéns António Costa. Obriga os privados a limparem os seus terrenos e bem. mas o Estado não limpa os Parques Naturais ao seu cuidado.
  • ze
    17 ago, 2022 aldeia 07:25
    Sempre em 1ºlugar!......no mau sentido.

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