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Decisão sobre aborto nos EUA "vai salvar vidas", mas fica ligada a Trump que quer "destruir a democracia"

24 jun, 2022 - 20:50

João César das Neves analisa a decisão do Supremo Tribunal dos Estados Unidos, que eliminou a garantia constitucional do direito ao aborto.

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César das Neves comenta reversão do direito ao aborto nos EUA

A decisão do Supremo Tribunal dos EUA de revogar o direito ao aborto é positiva porque "vai salvar muitas vidas", mas tem um lado negativo, afirma João César das Neves, habitual comentador da Renascença.

O economista sublinha que a reversão da legislação Roe vs. Wade ficará sempre associada ao ex-Presidente Donald Trump, alguém que pretende “destruir a democracia norte-americana”. Foi Trump que garantiu a maioria de juízes conservadores no Supremo, e não houve uma "mudança na opinião pública".

"Acho que a decisão tem duas coisas boas e uma menos boa. A principal é que se vão salvar muitas vidas e a luta pela vida vai ser reforçada", refere João César das Neves.

Na análise do comentador, "o Direito também é reforçado" nos Estados Unidos, porque "a aprovação da constitucionalidade do aborto", em 1973, "foi uma manipulação jurídica clara. O argumento foi a privacidade, que é uma coisa que não faz sentido nenhum. A Constituição norte-americana não tem lá o direito ao aborto".

O Supremo Tribunal dos Estados Unidos eliminou a garantia constitucional do direito ao aborto. A decisão foi anunciada esta sexta-feira.

A decisão passou com o voto a favor de seis juízes e com a oposição de três elementos do Supremo.

Em causa está legislação Roe vs. Wade, que vigorava desde 1973. Chega assim ao fim a garantia constitucional do aborto em vigor há cinco décadas no país.

A decisão dos juízes do Supremo Tribunal norte-americano surge na sequência de uma disputa sobre a legislação aprovado no estado do Mississippi, que proíbe o aborto depois das 15 semanas.

Cerca de metade dos estados dos EUA já indicaram que vão avançar com a proibição do aborto.

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