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Sardinha a 22 euros a dose e filas no regresso das festas do São João do Porto

23 jun, 2022 - 21:12

Filas de 50 metros para comer sardinhas a 22 euros a dose, marcaram o final de tarde do dia em que a festa do São João voltou às ruas do Porto, sempre ao som dos martelinhos.

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Filas de 50 metros para comer sardinhas a 22 euros a dose, marcaram o final de tarde do dia em que a festa do São João voltou às ruas do Porto, sempre ao som dos martelinhos.

Ao final da tarde, as Fontainhas, "coração" da maior festa portuense, mostrava com exuberância o regresso das pessoas aos festejos, já muito pontuado pelo cheiro intenso da sardinha assada e por cada vez mais pessoas acorrerem ao local sobranceiro ao rio Douro.

Nos três restaurantes, alinhados, um denominador comum: nenhum apresentava no cartaz o preço das refeições, detalhe que Francisco Alves, dono do restaurante Lavrador, disse "não ser estratégico", invocando outros argumentos.

"Estou a vender a dose da sardinha a 22 euros. São dez 10 sardinhas com batata cozida ou a murro. E o restaurante da ponta está a fazer o mesmo preço, já o do meio, vende cinco euros mais barato. Sabe qual é a diferença? É que as minhas são frescas e as dele são congeladas. Quem quer qualidade paga", disse.

E numa conversa com mais números, disse que "o almoço já correu muito bem" e que de manhã "recebeu mais 20 caixas de sardinhas", admitindo algum receio em "não conseguir vender tudo hoje". .

"Estou há 33 anos na noite de São João", resumiu antes de voltar para o trabalho, pois a tenda estava cheia e a fila começava a engrossar.

Numa dessas filas, Mariana Gonçalves, de Viseu, a viver no Porto "há pouco tempo e, por isso, a experimentar, pela primeira vez as emoções do São João", aguardava num grupo de amigos a sua vez para entrar e degustar a sardinha. .

"As expetativas são grandes, todos dizem que é das melhores festas. Vivi seis anos em Lisboa e quero comparar com a festa do Santo António, que conheço bem", contou, antes de partilhar os conselhos de quem vive no Porto: "viemos cedo para comer porque foi o que me disseram para fazer".

Na mão do grupo dois martelinhos, também comprados não por conselho, "mas porque disseram ser obrigatório", disse, antes de um amigo completar: "tal como a cerveja".

A figura de São João, nas Fontainhas, é também passagem obrigatória, pelo menos para os crentes, e David Santos, dos Salesianos do Porto, têm, por estes dias, a missão de vender velas a quem quiser pagar promessas.

"Tem havido gente a querer comprar velas para pagar promessas e depois há as outras quem vem por arrastamento", disse de um negócio de fé que tem um preço simpático: "cada vela custa 50 cêntimos".

Num palco diferente, mas igualmente simbólico, Eduardo Vítor Rodrigues, presidente da Câmara de Vila Nova de Gaia, e Rui Moreira, homólogo do Porto, encontraram-se às 18:00 no tabuleiro superior da ponte Luiz I para recuperar a tradição interrompida pela pandemia da covid-19.

Em registo descontraído, abraçaram-se, trataram-se por tu e o autarca de Gaia ofereceu o livro do Roteiro de Vieira da Silva, da exposição organizada pela Câmara de Vila Nova de Gaia ao colega do Porto.

Rui Moreira falou de uma "tradição que o rio une" enquanto, brincalhão, Eduardo Vítor Rodrigues, insistiu em assinalar que o encontro foi exatamente a meio da ponte.

"Estamos perfeitamente centralizados para que ninguém diga que o meu amigo Rui Moreira está a tomar conta de Gaia e eu a caminho do Porto", contou, entre sorrisos. .

Minutos depois ambos recuperaram o trajeto anterior, rumando cada um para a sua cidade enquanto lá em baixo, defronte da Ribeira do Porto, 10 caixas a flutuar no rio "anunciavam" o local onde a partir da meia-noite sairá o fogo-de-artifício, outro momento alto para quem vive a festa como sua. .

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