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“Vamos preparados para qualquer cenário”. Militares partiram para a Lituânia

01 jun, 2022 - 13:58 • Liliana Monteiro

A Renascença falou com um fuzileiro estreante Sandro Camões, de 21 anos, em missões deste género. Já o segundo-sargento Marco Santos, um dos mais velhos do contingente, com 18 anos de carreira, assume que “quando se vai bem preparado tudo corre naturalmente”.

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Fuzileiros rumo à Lituânia para inativação de explosivos e manobras de anfíbios
Fuzileiros rumo à Lituânia para inativação de explosivos e manobras de anfíbios

A força portuguesa com 146 fuzileiros, entre eles seis mergulhadores, partiu durante a manhã desta quarta-feira para a Lituânia, no âmbito de uma missão da NATO. Vão ficar sediados em Klaipeda a cerca de mil quilómetros de Kiev, dando continuidade a participações anteriores no âmbito de medidas de tranquilização da Aliança Atlântica.

Sandro Camões, de 21 anos, foi um dos 132 fuzileiros que partiram esta manhã de Figo Maduro rumo à Lituânia no âmbito da missão Assurance Measures da NATO.

Estatura média e com bigode arrebitado nas pontas é um dos mais novos. Conta à Renascença que vai cumprir a sua primeira missão desde que está na Marinha desde 2019.

“Esta missão não é nada mais… nada menos que a possibilidade de aplicar as minhas competências, que é para isso que todos treinamos. É poder representar o meu país da melhor maneira e poder trabalhar num teatro que não é o habitual”, explica o militar.

Embora a missão estivesse já há muito planeada, o tema guerra na Ucrânia é inevitável nas conversas. “Acaba por ser preocupante saber o que se passa, mas vamos tentar desempenhar a nossa função dentro do que nos é proposto.”

Já o segundo-sargento Marco Santos, um dos mais velhos do contingente, com 18 anos de carreira, constata que assunto “guerra na Ucrânia” obriga a outra atenção mas não causa ansiedade.

“Não há mais nervosismo. Vamos atentos à situação, mas há coisas que não estão sob o nosso controlo, muita coisa pode acontecer e vamos preparados para qualquer cenário, seja ele qual for.”

Não é a primeira vez que parte em missão e já esteve noutros teatros complicados. “Quando vamos bem preparados tudo corre naturalmente”, sublinha.

Questionado se sentia maior responsabilidade perante um grupo tão jovem, lembra que “pessoas com mais experiência são uma mais-valia para controlar e chefiar os mais novos”.

É a quarta missão portuguesa do género

Às 8h00, já com o avião da Euroatlantic na pista da base aérea de Figo maduro à espera estes dois militares foram os últimos a embarcar depois de falarem com a comunicação social.

E porque não seguiram os militares num voo militar? Porque as Forças Armadas não tinham aeronaves disponíveis para este transporte, muito por causa da fraca frota que não chega para tudo, contam fontes ligadas ao ramo militar.

A força de fuzileiros conta com 146 militares (12 oficiais, 24 sargentos e 110 praças do corpo de fuzileiros e do agrupamento de mergulhadores da marinha). Apenas um é mulher e não estava presente porque já se encontra com outros elementos no terreno.

Vão ficar na cidade portuária de Klaipeda, 1.080 kms de Kiev, na Ucrânia. Pela frente têm uma missão de três meses repleta de ações de dissuasão direta ou indireta nos países bálticos.

Na cerimónia de envio dos fuzileiros, que integram a quarta missão portuguesa do género, esteve chefe de Estado Maior da Armada, o Almirante Gouveia e Melo que destacou o exemplo desta força. “Foi com especial agrado que recebi os maiores elogios do comandante da Marinha Lituânia, na reunião de chefes da Marinha na europa que decorreu na Roménia, tendo sido informado que vão criar uma força de fuzileiros à imagem do nosso corpo. Esta decisão diz bem do excelente trabalho desenvolvido por todos e o reconhecimento da nossa capacidade técnica e de prontidão demonstradas.”

O Almirante lembra que o atual quadro internacional no Leste europeu é complexo, sendo marcado por um contexto de incerteza e exigente.

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