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Museus "de referência" não estão a cumprir funções por crónica falta de recursos

18 mai, 2022 - 12:51 • Lusa

O alerta parte do Conselho Internacional de Museus

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A comissão nacional do Conselho Internacional de Museus (ICOM-Portugal) alertou nesta quarta-feira que "algumas instituições de referência" em Portugal "não estão já em condições de cumprir as funções que lhes são cometidas", devido a uma "crónica" falta de recursos.

Num texto para assinalar o Dia Internacional dos Museus, que hoje se comemora, a presidente do ICOM-Portugal, Maria de Jesus Monge, sublinha a importância dos museus "para a preservação e divulgação do património das comunidades, povos e nações", e chama a atenção para a realidade vivida pelo setor.

"Algumas das instituições de referência nacional não estão já em condições de cumprir as funções que lhes estão cometidas. Esperamos que o reconhecido 'Poder dos Museus' obtenha uma visibilidade que transcenda a data e se reflita em estratégia e recursos rejuvenescedores", alerta a museóloga, referindo-se ao tema proposto para a celebração da efeméride este ano.

Maria de Jesus Monge descreve ainda "a secundarização crónica a que os museus vêm sendo condenados – avassalados com a míngua de recursos humanos, preocupados quer com as condições de conservação e a necessidade de investigação das suas coleções, quer com o modo como comunica com as comunidades".

"Os museus são uma mais-valia e preciosos aliados no diálogo com as comunidades e na preservação das suas memórias, na transformação das mentalidades e das sociedades, na promoção da democracia e da cidadania e na defesa de valores fundamentais como a liberdade, igualdade e fraternidade", escreve ainda.

No entanto, face a "tempos de incertezas e perplexidades", a museóloga questiona: "que lugar para os museus? As notícias que chegam mostram a importância do património cultural e a necessidade de o preservar para as gerações futuras".

"Os museus convocam memórias, promovem aprendizagens, proporcionam sensações, potenciam experiências", acrescenta ainda a também diretora do Museu-Biblioteca da Casa de Bragança, voltando ao tema escolhido este ano para as celebrações – "O Poder dos Museus" – que, a seu ver, "reside na capacidade de garantir espaços inclusivos, de diálogo e promoção de cidadania ativa, mas também espaços de bem-estar e deleite".

Maria de Jesus Monge refere ainda, no texto, que, na data de hoje, profissionais de museus de todo o mundo "procuram mostrar o que de melhor e mais apelativo podem proporcionar aos seus públicos", num dia de festa e celebração, "montra do que vem sendo realizado, e semente de outras iniciativas".

Por outro lado, a presidente do ICOM-Portugal menciona a situação difícil dos profissionais do setor na Ucrânia e na Polónia, a quem se associa nesta quarta-feira através dos comités nacionais do ICOM desses países, numa iniciativa online, conjunta com o ICOM Europa, para conhecer melhor a realidade vivida nestes países e perceber como poderemos ser úteis".

Este ano, o tema proposto pelo ICOM, promotor do evento ao nível mundial, visa demonstrar o efeito positivo destes espaços culturais, num mundo em mudança, quando o impacto económico, político e social da guerra na Ucrânia se junta aos efeitos da pandemia da Covid-19.

Em Portugal, dezenas de entidades e concelhos do continente e arquipélagos dos Açores e da Madeira respondem anualmente ao repto da Direção-Geral do Património Cultural (DGPC), para que os museus nacionais e da rede portuguesa criem programações especiais para estas datas, que passaram a ter uma oferta presencial e online.

Visitas guiadas e temáticas a exposições, às reservas de alguns museus, espetáculos de teatro, dança, circo e música, oficinas, palestras, entre outras iniciativas, na maioria gratuitas, para todos os públicos, compõem um programa geral que soma centenas de atividades em todo o país.

As atividades inscritas para o Dia Internacional dos Museus podem ser consultadas na página online da DGPC.

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