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Banco Alimentar regista aumento de queixas. Instituições e pessoas preocupadas com escalada de preços

12 abr, 2022 - 07:45 • Henrique Cunha

Isabel Jonet diz que as medidas anunciadas pelo Governo de combate à inflação são paliativas e apenas permitem "um alívio temporário".

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O Banco Alimentar tem registado um aumento de queixas relacionadas com a escalada de preços dos bens alimentares e da energia. À Renascença, a presidente da instituição diz que as medidas de emergência do Governo “são paliativos” e defende “um plano mais estruturado de luta contra a pobreza”.

Sem dados que permitam uma imediata avaliação dos efeitos da inflação junto das famílias, a presidente do Banco Alimentar revela que tem recebido “muitas queixas”, por causa da subida de preços. “Tanto por parte das instituições, que vêm diariamente aos bancos alimentares, mas que refletem o que lhes é transmitido pelas pessoas que apoiam”, porque “o acréscimo de preços vem fazer com que haja menos rendimento disponível para estas famílias, que já vivem com os orçamentos completamente esticados e com grandes dificuldades”.

Nestas declarações, Isabel Jonet volta a alertar “para a tremenda pobreza estrutural” do país e adianta que o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) pode ser um bom instrumento na procura de soluções. Contudo, afirma que a denominada bazuca europeia “não pode ser apenas absorvida pelo setor público”.

Na sua opinião, as medidas anunciadas pelo Governo de combate à inflação e as ações de solidariedade permitem “um alívio temporário”.

A responsável entende que a solução passa por “um ajustamento dos salários”, porque na maioria das vezes quando os preços sobem depois muito dificilmente voltam a descer.

Isabel Jonet pede, por isso, “um plano mais estruturado de luta contra a pobreza”, porque “vivemos de paliativos que ajudam a minorar um sofrimento num determinado momento, mas que não fazem com que as famílias possam ter uma vida autónoma e sem preocupações de como vão comer até ao final do mês”.

A responsável lembra que em Portugal um milhão de pessoas vive com menos de 250 euros por mês e dois milhões vivem com menos de 450 euros por mês.

“Portanto, estas medidas são boas, mas são apenas paliativas. É preciso haver um plano mais estruturado de luta contra a pobreza e é preciso que as famílias possam dispor de mais rendimentos e até de mais conhecimentos”, sublinha.

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