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Associação de Discotecas. Agressões a polícias resulta da falta de estratégia de segurança na noite

19 mar, 2022 - 16:45 • Lusa

Embora os agredidos tenham sido polícias, José Gouveia notou que não estavam fardados e que possivelmente os agressores não se aperceberam disso, insistindo que é necessário a noite de Lisboa ter um policiamento com polícias fardados.

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O presidente da Associação de Discotecas Nacional (ADN) considerou, este sábado, que as violentas agressões cometidas contra quatro polícias no exterior de uma discoteca em Lisboa são o "resultado de uma ausência de estratégia quanto à segurança na noite".

Em declarações à agência Lusa, José Gouveia salientou que a ADN "tem vindo a alertar o poder central e o poder local (Câmara Municipal de Lisboa) para "a ausência de estratégia de segurança" com vista a um "policiamento da zona" de diversão noturna.

O presidente da ADN referiu que as agressões violentas ocorreram cerca das 06h30, numa altura em que as discotecas encerram e existe maior fluxo de pessoas sob o efeito do álcool na via pública, neste caso na 24 de julho, em Lisboa.

Embora os agredidos tenham sido polícias, José Gouveia notou que não estavam fardados e que possivelmente os agressores não se aperceberam disso, insistindo que é necessário a noite de Lisboa ter um policiamento com polícias fardados, armados e em serviço, por forma a dissuadir eventuais atos de agressão à saída das discotecas.

Não havendo policiamento nestes locais de diversão noturna, o presidente da ADN entende que essa situação permite a ocorrência com maior frequência de atos violentos como os que ocorreram hoje diante da discoteca MOME.

José Gouveia lamentou que persista a ausência de policiamento em locais nevrálgicos da noite, nomeadamente de discotecas entre o Cais do Sodré e as Docas de Santo Amaro, mas que depois existam efetivos da polícia para fazer operações [de trânsito] auto-stop a um ou dois quilómetros dos locais onde a violência ocorre.

O presidente da ADN afirmou que já seria positivo que a polícia colocasse um carro-patrulha a circular entre o Cais do Sodré e as Docas de Santo Amaro para dissuadir e acudir a eventuais situações de violência, reconhecendo, contudo, que progressivamente se nota um crescente "desrespeito pela autoridade policial", observando que há que contrariar esta "cultura" portuguesa de não respeitar os polícias.

Quanto às agressões verificadas na madrugada de hoje, José Gouveia classificou-as como "gratuitas" e de uma "violência extrema", fazendo votos para que o estado de saúde do polícia que está em coma possa ter uma evolução positiva, que lhe permita recuperar.

O presidente da ADN disse à Lusa que a Proteção de Dados só permite que as câmaras de videovigilância das discotecas filmem um metro quadrado junto à porta, apanhando unicamente quem entra e quem sai da discoteca.

Adiantou, contudo, à Lusa que possui a informação de que "toda a agressão aos polícias", num perímetro mais alargado, foi filmada, pelo que a Polícia Judiciária (PJ) já deverá estar na posse de uma cópia das imagens de videovigilância, para identificação dos agressores.

Ressalvou desconhecer, porém, quais os trâmites processuais ou judiciários necessários para que a PJ tenha acesso a essas imagens vitais para deslindar o caso.

José Gouveia aludiu ainda ao facto de os jogos de futebol, por comportarem risco de haver cenas de agressão, terem obrigatoriamente que ter polícia presente, mas no caso das discotecas e nos locais de diversão noturna isso não acontecer, com graves consequências como aquela que hoje sucedeu.

O presidente do ADN referiu que no último ano já houve duas mortes na noite em circunstâncias semelhantes, uma delas no norte do país, dizendo que tal número é "excessivo" e exige uma resposta para uma "situação que é tão fácil de resolver" através de um policiamento adequado dos locais noturnos.

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  • Vitor
    21 mar, 2022 Lisboa 12:29
    Claro que a presença policial é necessária nos locais onde, potencialmente, poderá haver alteração da ordem pública. Porém, aqueles que lucram com o exercício de uma atividade comercial propícia a alteração dessa ordem pública tem de arcar com os encargos de segurança do espaço. Recorrentemente, essas alterações da ordem pública são geradas no interior dos espaços de divertimento noturno, sendo os seus autores corridos para o exterior, lavando os responsáveis por esses espaços as suas mãos a partir dai. Assim, os responsáveis pela atividade comercial têm também responsabilidade pela segurança na zona próxima, até porque muitos clientes adquirem lá as bebidas e vêm beber e confraternizar para o exterior. Tal como outras atividades comerciais, querem segurança próxima, não havendo outra forma de a obter, paguem os serviços remunerados a agentes policiais. Mas, esse encargo já não querem ter.
  • Eduardo Santos
    19 mar, 2022 Fátima 19:31
    É de lamentar as declarações do sr. presidente da Associação de Discotecas Nacional (ADN), mais preocupado com "sacudir a água do capote" de que com os incidentes verificados, e que são graves. Que tal as discotecas preocuparam-se com a segurança também no exterior, sobretudo na hora do fecho? Será que clientes como estes que fizeram estes desacatos estavam em condições normais? O negócio e consequente lucro tem que ser tido em conta, mas há uma obrigação moral dos donos em acautelar o excesso de bebida, ou outras afins, pois de contrário não haverá segurança que chegue, sejam elementos fardados ou não. Em vez de "disparar" em todas as direcções, o sr. presidente poderia apresentar algo mais de construtivo a fazer pelos donos dos estabelecimentos.

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