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Covid-19. Linhagem BA.2 da variante Ómicron aumenta para 82%

15 mar, 2022 - 21:14 • Redação com Lusa

A linhagem BA.2, que partilha com a BA.1 várias características genéticas, foi detetada em Portugal no final de 2021 e tem registado um aumento da prevalência desde essa altura.

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A linhagem BA.2 da variante Ómicron do coronavírus SARS-Cov-2, considerada mais transmissível, é responsável por 82% das infeções registadas em Portugal, enquanto a prevalência da linhagem BA.1 baixou para 18%, estima o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA).

A linhagem BA.2, que partilha com a BA.1 várias características genéticas, foi detetada em Portugal no final de 2021 e tem registado um aumento da prevalência desde essa altura.

O microbiologista João Paulo Gomes admite à Renascença que pode ser prudente adiar o levantamento das restrições, previsto para o início de abril. O especialista do INSA diz que as duas próximas semanas vão ser decisivas, embora os indicadores sejam progressivos, mas não mostram um cenário preocupante.

“Pode haver necessidade de ser pensado. Ainda faltam cerca de duas semanas e, portanto, vamos ver como é que os números evoluem e, acima de tudo, vamos ver se há ou não alguma inflexão nesta tendência decrescente, que já é observada há algum tempo nas hospitalizações. Imagino que se houver alguma inflexão, esses números passem a subir, que, eventualmente, haja algum recuo - o não avanço das medidas (a abolição da máscara em espaços interiores, etc). Diria que as próximas duas semanas são fundamentais para perceber se há uma estabilização, se há continuação do decréscimo ou se há uma inflexão destas tendências. Eu acho que é prudente fazer isso, sem dúvida.”

“Daí que as próximas duas semanas sejam fundamentais para perceber se é para seguir esse caminho, ou se é para colocar um pé no travão”, sublinha.

Classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como de preocupação, a variante Ómicron engloba várias linhagens identificadas pelo prefixo `BA´, entre as quais a BA.1 e a BA.2, que descendem da mesma linhagem ancestral (B.1.1.529) e apresentam um “excesso” de mutações na proteína `spike´.

Quanto à BA.1, identificada pela primeira vez em Portugal em novembro de 2021 e que chegou a atingir uma prevalência máxima de 95,6% das infeções em janeiro, continua a tendência decrescente das últimas semanas, baixando agora para os 18%, avança o INSA.

Recentemente, a OMS avançou que estudos preliminares sugerem que a BA.2 seja mais transmissível do que a BA.1, mas a organização salientou que os dados do `mundo real´ sobre a gravidade clínica na África do Sul, Reino Unido e Dinamarca, onde a imunidade da vacinação e de infeção natural é alta, indicam que “não houve diferença relatada na gravidade entre BA.2 e BA.1”.

“A reinfecção com a BA.2, após a infeção pela BA.1 foi documentada, mas dados iniciais de estudos de nível populacional sugerem que a infeção com a BA.1 fornece forte proteção contra reinfecção com BA.2”, indicou ainda a OMS.

No âmbito da monitorização contínua da diversidade genética do SARS-CoV-2 que o INSA está a desenvolver, têm sido analisadas uma média de 520 sequências por semana desde o início de junho de 2021, provenientes de amostras colhidas aleatoriamente em laboratórios dos 18 distritos de Portugal continental e das regiões autónomas dos Açores e da Madeira, abrangendo uma média de 137 concelhos por semana.

A Covid-19 provocou pelo menos 6.011.769 mortos em todo o mundo desde o início da pandemia, segundo o mais recente balanço da agência France-Presse. A doença é provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2, detetado no final de 2019 em Wuhan, cidade do centro da China.

A variante Ómicron, que se dissemina e sofre mutações rapidamente, tornou-se dominante no mundo desde que foi detetada pela primeira vez, em novembro, na África do Sul.

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