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Morte de bebé. Hospital de Portalegre sem VMER cerca de sete horas

28 jan, 2022 - 14:37 • Lusa

A diretora clínica lembra que se vive "em período pandémico, sendo que "os médicos têm várias solicitações e, por isso, pontualmente, houve a falha neste período".

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A Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) do hospital de Portalegre esteve cerca de sete horas inoperacional por falta de médico, na quinta-feira, disse hoje a diretora clínica da Unidade Local de Saúde do Norte Alentejano (ULSNA).

De acordo com Vera Escoto, que falava aos jornalistas na sequência da morte no hospital de Portalegre de um bebé de oito dias, na quinta-feira, por alegada falta de socorro médico, aquela unidade hospitalar "fez todos os esforços" naquele dia para colocar a VMER operacional.

"Houve um período, entre 09:00 e as 15:40, em que não houve médico, embora se tivessem feito todos os esforços para colmatar essa situação", indicou.

A diretora clínica lembrou que se vive "em período pandémico, sendo que "os médicos têm várias solicitações e, por isso, pontualmente, houve a falha neste período", lamentou.

No entanto, Vera Escoto garantiu ainda aos jornalistas que "raramente" a VMER de Portalegre está inoperacional.

"Quando não se consegue, porque acontece um imprevisto e dentro da nossa casa [hospital] não conseguimos colocar alguém, poderá ficar a descoberto", admitiu, contudo.

A ULSNA anunciou ter instaurado hoje um inquérito para apurar as circunstâncias da morte, na quinta-feira, de um bebé de oito dias, transportado para o hospital de Portalegre.

No âmbito deste "processo de inquérito, todas as circunstâncias vão ser apuradas", garantiu.


Questionada pelos jornalistas para relatar o que se passou em concreto com a morte do bebé e se este ainda chegou com vida ao hospital, Vera Escoto apenas referiu que, para dar respostas a estas questões é que a ULSNA "imediatamente" abriu o inquérito.

Ainda assim, a responsável avançou que foram feitas naquela unidade hospitalar, nomeadamente no Serviço de Urgência, "manobras de ressuscitação", com vários profissionais de saúde envolvidos no processo de reanimação.

Em comunicado, a ULSNA lamentou "profundamente" o óbito do recém-nascido, natural da freguesia rural de Alagoa, no concelho de Portalegre.

No documento, o conselho de administração da ULSNA, além de endereçar os sentimentos à família, sublinhou que aguarda o resultado da autópsia.

"O conselho de administração não pode deixar de realçar o profissionalismo de todos os técnicos de saúde, do Serviço de Urgência, envolvidos no socorro a esta situação", pode ler-se também na nota.

A revista Sábado noticiou a morte de um bebé de oito dias, na quinta-feira, no hospital de Portalegre, "por falta de socorro médico".

Segundo a revista, "o socorro foi pedido pelo pai da criança e os bombeiros foram acionados às 09:33", depois de o Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) ter dito que a VMER "do hospital de Portalegre não estava operacional". .

A Lusa contactou hoje o INEM, mas está ainda a aguardar esclarecimentos sobre esta situação.

A Ordem dos Médicos (OM) exigiu hoje que a morte de um recém-nascido no hospital de Portalegre, por "alegada falha" no socorro, seja "rapidamente investigada e esclarecida", por configurar "uma situação muito grave".

"A morte deste bebé tem de ser investigada até às últimas consequências para que todas as possíveis falhas sejam rapidamente corrigidas e a confiança da população na resposta de emergência seja restabelecida", disse o bastonário da OM, Miguel Guimarães, em comunicado.

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