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Covid-19. “Há mais infeções nas crianças”, pelo que é de esperar “mais complicações”

20 jan, 2022 - 12:23 • Anabela Góis , Marta Grosso

Quem o diz é o diretor do Serviço de Pediatria Médica do Hospital D. Estefânia, segundo o qual metade das crianças ali internadas “foram hospitalizadas por outros motivos”.

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Os casos de Covid-19 estão a aumentar e têm incidido agora mais as crianças e os adolescentes, uma situação que já está a ter reflexos nos hospitais, nomeadamente no D. Estefânia, em Lisboa, que tem assistido a um aumento da procura.

Gonçalo Cordeiro Ferreira, diretor do Serviço de Pediatria Médica, considera que tal aumento era “expectável, atendendo a que há um aumento dos casos de Covid na população em geral e nomeadamente nas idades pediátricas”.

“Neste momento, há mais infeções nas crianças do que havia em janeiro do ano passado e, portanto, será de esperar que as complicações também surjam mais, por uma questão percentual, basicamente”, acrescenta, nestas declarações à Renascença.

O D. Estefânia tem, nesta altura, 14 crianças internadas com Covid-19, uma das quais nos cuidados intensivos, mas metade foram hospitalizadas por outros motivos.

“Como testamos todas as crianças que vamos internar, têm simultaneamente o teste positivo, mas aí o Covid não aquele nem arrefece; foi um achado”, explica Gonçalo Cordeiro Ferreira, adiantando que estes menores “serão assintomáticos”.

Quanto a crianças internadas nos cuidados intensivos, são situações que derivam de complicações várias, incluindo efeitos tardios da Covid-19.

“Temos duas crianças que têm doenças crónicas e que tiveram uma agudização que motivou o internamento. São as duas positivas para o SARS-Cov e, aqui sim, pensamos que a infeção causou a descompensação da doença crónica”, começa por explicar o diretor do serviço.

“Temos uma criança que ainda está em investigação – tem sintomas neurológicos que podem ser atribuídos ao SARS-Cov – e depois temos quatro crianças que têm uma complicação tardia, pós-infecciosa do SARS-CoV, que é uma complicação que surge umas semanas depois da infeção”, indica.

“São crianças que apresentam novamente um quadro de febre alta, inflamações da boca, dos olhos, com borbulhas do corpo e às vezes com alterações termodinâmicas, com a tensão baixa, etc, e que precisam muitas vezes de algum recurso a cuidados intensivos porque têm estas complicações e algumas complicações cardíacas, entre outras”, explica ainda.

Numa altura em que decorre a vacinação contra a Covid-19 em crianças, Gonçalo Cordeiro Ferreira diz ainda que, até agora, o Hospital D. Estefânia não atendeu qualquer criança com efeitos adversos desta vacina.

“Não tivemos aqui nenhuma situação que se enquadrasse naquilo que se chama a possibilidade de uma reação adversa à vacina, até porque estas crianças não estão vacinadas”, elucida.

Interrogado pela Renascença sobre o caso da criança de 6 anos que morreu no hospital de Santa Maria infetada Covid, mas cuja causa concreta da morte ainda está por apurar, Gonçalo Cordeiro Ferreira não quis fazer comentários.

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