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"Libertem o meu país da corrupção", pede Maria José Morgado, premiada pelo combate anticorrupção

15 dez, 2021 - 21:37 • Lusa

Na aceitação do segundo prémio que venceu, a magistrada dedicou-o “à sociedade anónima, sofredora e combativa, aqueles não se resignam e querem lutar por um país com progresso, com igualdade, com critérios de ética e transparência”.

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De punho erguido e com um “Libertem o meu país da corrupção”, a magistrada Maria José Morgado recebeu esta quarta-feira o primeiro de dois prémios anticorrupção que conquistou, numa cerimónia que distinguiu também a ex-Procuradora-Geral da República Joana Marques Vidal.

“Estou inteiramente embaraçada por receber um prémio que parece, no meu caso, perfeitamente despropositado, na medida em que a luta pela integridade, pela ética, é como o ar que respiro”, disse a procuradora jubilada do Ministério Público, no momento da aceitação do galardão na categoria Projeto de Investigação dos Prémios Tágides 2021.

Os galardões que se definem como prémios anticorrupção apresentaram hoje, na sua primeira edição, os primeiros vencedores numa cerimónia no auditório da Fundação Champalimaud, em Lisboa, promovidos pela Associação All4Integrity e com o alto patrocínio do Presidente da República.

“A luta pela integridade, pela ética, liberta-nos das correntes da pobreza, da corrupção, da desigualdade, de tudo o que tem transformado o país em que vivemos num país pobre, desigual, num país de nepotismo, num país em que a ética foi transformada num princípio do ‘in dubio pro reo’ [na dúvida, pró réu], que não é bem a mesma coisa. A única coisa que quero dizer é o que todos os que estão à minha frente de certeza estão a pensar: Libertem o meu país da corrupção”, disse Maria José Morgado.

Na aceitação do segundo prémio que venceu, na categoria Iniciativa Política, a magistrada dedicou-o “à sociedade anónima, sofredora e combativa, aqueles não se resignam e querem lutar por um país com progresso, com igualdade, com critérios de ética e transparência”.

A ex-Procuradora-Geral da República Joana Marques Vidal foi distinguida na categoria Projeto Sociedade Civil e na aceitação salientou a importância da iniciativa, ao permitir “momentos de reflexão, de aprofundamento do que deve ser a cultura para a integridade”, enalteceu o trabalho da All4Integrity junto das escolas em matéria de educação contra a corrupção e terminou dedicando a distinção a todos os magistrados do Ministério Público (MP).

À saída, em declarações aos jornalistas, as afirmações foram no mesmo sentido, dizendo que recebeu o prémio “com a noção de que poderá ser o reconhecimento de um trabalho” que não fez sozinha, estendendo o reconhecimento aos magistrados do MP e investigadores num “trabalho que tem que continuar”.

Voltou a recusar, tal como à entrada, comentar os casos do ex-ministro da Economia Manuel Pinho, que foi hoje colocado em prisão domiciliária no âmbito do processo EDP, ou dos eventuais atrasos no envio de documentação para a África do Sul no âmbito do processo de extradição do ex-banqueiro João Rendeiro, por falta de tradutores no MP.

Na abertura da cerimónia de entrega dos prémios, o presidente da All4Integrity, André Correa d’Almeida, afirmou a crença da associação de que “Portugal pode tornar-se numa referência nacional e internacional na prevenção e combate à corrupção e crimes conexos, por muito inverosímil que, atualmente, tal objetivo possa parecer”.

Para o presidente da All4Integrity, um dos grandes méritos da iniciativa, é o da mobilização para a ação.

“Mobilizar todos e todas pela ação e não deixar o tema enclausurado em feudos ideológicos e enclaves elitistas é já, mais do que um objetivo, um dos resultados do Prémio Tágides. Este prémio democratiza a reflexão e a intervenção contra a corrupção. Torna-a uma causa comum! De todos! Despolitiza-a! Resgata-a do espetro político “esquerda-centro-direita” e, dessa forma, este prémio tornou-se na maior e mais agregadora iniciativa nacional na luta contra a corrupção”, disse.

Os Prémios Tágides 2021 distinguiram ainda na categoria Iniciativa Empresarial o empresário e comendador Rui Nabeiro e atribuíram uma menção honrosa a Rui Pinto, criador do "Football Leaks" e que está a ser julgado por 90 crimes, entre os quais 68 de acesso indevido, 14 de violação de correspondência, seis de acesso ilegítimo e ainda por sabotagem informática à SAD do Sporting e por tentativa de extorsão ao fundo de investimento Doyen.

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