Tempo
|
A+ / A-

Ensino Superior

Universidade do Minho. Centenas de alunos manifestam-se contra assédio sexual

02 dez, 2021 - 19:01 • Lusa

Em poucos dias, foram reunidas mais de 100 denúncias numa página exclusivamente criada para esse efeito nas redes sociais. “Há vítimas que se queixaram e a universidade ficou do lado dos professores”, aponta uma das contestárias.

A+ / A-

Centenas de alunos da Universidade do Minho (UMinho) manifestaram-se esta quinta-feira, em Braga, contra o alegado assédio sexual na academia, que dizem ocorrer há anos e ser perpetrado por professores, funcionários, estudantes e pessoas “de fora”.

Segundo Cátia Almeida, um dos rostos da contestação, em poucos dias foram já reunidas “mais de 100 denúncias”, numa página criada expressamente para o efeito nas redes sociais.

“Há vítimas que se queixaram e a universidade ficou do lado dos professores”, apontou.

Raquel Brandão, outra das líderes do protesto, adiantou que algumas vítimas ficaram caladas durante algum tempo e só agora “tiveram coragem” de expor os seus casos, face à dimensão mediática que o assunto ganhou nos últimos dias.

Na terça-feira, o reitor da UMinho anunciou que o porteiro de uma residência universitária em Braga foi “retirado do seu posto de trabalho” após uma denúncia de alegado assédio sexual a uma estudante.

Segundo Rui Vieira de Castro, o trabalhador, que entretanto meteu baixa, foi “realocado” a outras funções que não impliquem “o contacto direto com estudantes ou com o público”.

“Haverá agora um procedimento de averiguações para apurar o que se passou e depois adotaremos as medidas aplicáveis à luz daquilo que são os nossos regulamentos e códigos de conduta”, acrescentou.

O reitor diz que em causa está uma denúncia de uma estudante que reporta a 2020 mas que só no final da semana passada chegou ao seu conhecimento.

“Não deveria ter acontecido [o atraso]. Devia ter sido objeto de correção imediata”, referiu, admitindo que o caso “abre espaço para novas denúncias”.

Os estudantes que se manifestaram esta quinta-feira dizem que a “realocação” não resolve nada e pedem medidas mais fortes para dissuadir, de uma vez por todas, o assédio na academia.

“Não são só funcionários. São também professores, são também estudantes, seja em contexto de praxe ou não. E não são apenas as alunas que são assediadas. Há também relatos de assédio a rapazes por parte de professoras”, disse Cátia Almeida.

Na segunda-feira, na cerimónia de tomada de posse para o seu segundo mandato, o reitor da UMinho, Rui Vieira de Castro, destacou a adoção, pela universidade, de um “código de boa conduta para a prevenção e combate ao assédio e promoção da igualdade de género”.

O objetivo, adiantou, é a garantir a “qualidade de vida” nos campi e o bem-estar da comunidade académica.

A universidade apela a que quem se sentir vítima de assédio sexual na academia relate o caso ao provedor do estudante.

Segue-se "um processo de averiguação", após o que a provedoria "emite uma recomendação e, em certos casos, remete ao conselho disciplinar, órgão de consulta do reitor, que pode agilizar em articulação com as autoridades".

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

Destaques V+