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Pandemia

Nova variante Covid-19. “Até que se perceba se é perigosa, os países têm de se proteger”

26 nov, 2021 - 10:22 • Marta Grosso , Anabela Góis

A ainda chamada “variante do Botswana” foi descoberta há três dias e está a agitar a comunidade científica. À Renascença, o investigador Miguel Castanho diz que o número de mutações não é o que mais preocupa, mas há que estar atento.

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“Quem vai para o mar avia-se em terra”, recorda o investigador do Instituto de Medicina Molecular Miguel Castanho, para dizer que faz sentido os países começarem a tomar medidas para travar a expansão da nova variante da Covid-19.

“Não é um exagero no sentido da previdência, porque já passámos por várias variantes que foram relativamente inconsequentes, mas acontece que, de vez em quando, aparece uma variante tipo Delta, que faz mesmo diferença”, afirma.

O alarme soou na terça-feira, dia 23, depois da descoberta da variante B.1.1.529, um desdobramento de uma variante antiga chamada B.1.1 com 32 mutações (o dobro das 16 identificadas na variante Delta), detetada na África do Sul, no Botswana, em Hong Kong e Israel.

“Embora nós saibamos que existe aqui um potencial para que possa ser uma variante perigosa, nada aponta, à partida, para que isso assim aconteça”, acautela o especialista, lembrando que existem “exemplos de variantes que suscitaram alguma preocupação – a nepalesa, por exemplo – e que acabaram por se verificar não muito perigosas”.

As mutações desta nova variante foram detetadas na proteína “spike”, que faz parte do novo coronavírus e que a maioria das vacinas usa para preparar o sistema imunitário contra a Covid-19.

Tais mutações podem afetar a capacidade do vírus de infetar células e se espalhar, mas também dificultar o ataque das células do sistema imunitário ao agente patogénico.

E é exatamente isso que preocupa Miguel Castanho. “Esta variante não me impressiona pelo número de mutações que tem, porque a perigosidade não é proporcional ao número de modificações – a perigosidade depende das alterações em específico e do impacto que têm na forma, na estrutura daquela proteína que faz a ligação às células humanas”, diz à Renascença.

Perante o alerta, a Organização Mundial de Saúde (OMS) marcou uma reunião para esta sexta-feira de manhã e a presidente da Comissão Europeia já anunciou que que vai propor a suspensão de voos vindos da África Austral para a União Europeia.

Isto, depois de o Reino Unido e Itália terem proibido voos de seis países africanos, tal como a Alemanha anunciou que não recebe voos da África do Sul.

Quanto a Portugal, a Renascença já contactou o gabinete do ministro dos Negócios Estrangeiros, que remete uma resposta para mais tarde, dado que Augusto Santos Silva está fora do país.

A nova variante foi identificada por Tom Peacock, virologista do Imperial College London. As 32 mutações são descritas como “extremamente altas” e Peacock aconselha a que esta variante seja “muito bem monitorizada”.

Até agora, foram identificados apenas 10 casos da nova variante, através do sequenciamento genómico, mas os cientistas dizem que pode haver mais casos ainda por identificar.

Em Portugal, a monitorização está a ser feita pelo Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA).
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