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Respostas Sociais à Pandemia

Bombeiros de Gaia. Formação ajudou a combater medos da Covid e a garantir apoio à população

11 nov, 2021 - 14:02 • Cristina Nascimento , André Peralta (sonorização)

Comandante José Viana explica que Gaia é o terceiro munícipio mais populoso do país e que, em tempo de pandemia, foram dados vários tipos de resposta, entre os quais, desinfecção de escolas, lares e indústrias, atendimento pré-hospitalar e até assistência a quem estava em isolamento em casa.

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No quartel dos Bombeiros Sapadores de Gaia, a pandemia fez-se sentir ainda antes de existir um caso positivo. No município, vivem 310 mil pessoas, é o terceiro mais populoso do país. Para garantir que o socorro não iria falhar, antes da propagação da Covid já os bombeiros treinavam.

“Nós tivemos que ter muita, muita formação interna, muito treino interno para que todos os procedimentos de equipar e desequipar não pusessem em causa os próprios operacionais”, descreve o comandante José Viana.

Apesar do treino, José Viana reconhece que a novidade e tantas dúvidas em torno do novo coronavírus causou receio entre os 116 operacionais e foi a formação que ajudou a tranquilizar os espíritos.

“Essa formação que tivemos com os Agrupamentos dos Centros de Saúde, com os delegados de saúde a explicar quais as formas de contágio, como se propaga o vírus, como era a forma de nos protegermos e depois aquelas formações de equipar/desequipar, foram fundamentais para nos mantermos mais seguros e calmos”, assegura.

Certo é que não houve surtos no quartel e continuaram a atender a todas as situações, desde a desinfecção de escolas, lares e indústrias, o atendimento pré-hospitalar e até assistência a quem estava em isolamento em casa, nomeadamente distribuição de alimentação e medicamentos “aos domicílios, em caso de pessoas que estavam em isolamento profilático e não tinham retaguarda familiar”.

Outra resposta que deram foi o transporte de pessoas para realizar testes Covid-19, sobretudo idosos, fragilizados e inquietos, momentos em que os bombeiros também fizeram as vezes de psicólogos.

“Claramente que tivemos também esse papel de psicólogos no domicílio, é uma das nossas missões. Muitas vezes os bombeiros e a proteção civil são vistos só na questão da resposta e da emergência, mas o antes da emergência, no apoio à reposição da normalidade, é muito importante estarmos próximos da população”, explica o comandante.

A vacinação dentro do quartel foi outra fase difícil da pandemia. Quando ainda havia escassez de vacinas, o comando teve de escolher quem seriam os primeiros a ser vacinados, embora a opinião dominante era que “ou eram todos vacinados, ou não era n ninguém”.

Olhando para trás, o comandante José Viana diz-se orgulhoso dos seus homens e da forma "firme, persistente e presente" que serviram a população de Gaia. Um dos segredos? A a criação da Comissão Municipal de Proteção Civil para o risco da Covid, onde várias entidades têm assento.

“Todas as semanas partilhávamos toda a comunicação e toda a informação que tínhamos para que todos estivéssemos articulados e fizéssemos frente à pandemia. Essa foi a grande resposta que se deu”, conclui..

José Viana considera ainda que esta é hora de reflexão, dado que, argumenta, na área da emergência pensava-se mais, por exemplo, no terrorismo, mas foi um risco biológico que virou as vidas do avesso.

O assunto dá que pensar, diz o comandante, avisando que o mais certo é, que mais cedo ou mais tarde, volte a acontecer.

Respostas Sociais à Pandemia é uma rubrica da Renascença com apoio da Câmara Municipal de Gaia que surge no seguimento da Conferência "Pandemia: Respostas à Crise" onde se debateu em maio de 2021 o papel das Instituições Sociais e do Poder Local.

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