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Situação "calamitosa" no hospital de Leiria. Vários enfermeiros pediram escusa de responsabilidade

09 nov, 2021 - 17:27 • Lusa

Pedido de baixa do diretor do serviço agravou a situação, deixando escalas médicas com turnos a descoberto. Tempo de espera para "primeira observação" pode ir além das 15 horas.

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A Secção Regional do Centro (SRCentro) da Ordem dos Enfermeiros recebeu vários pedidos de escusa de responsabilidade por parte dos enfermeiros do Serviço de Urgência do hospital de Leiria.

Considerando a situação "calamitosa", numa nota de imprensa divulgada nesta terça-feira, a Ordem adianta que desde 15 de outubro, altura em que a SRCentro visitou o Serviço de Urgência do Hospital de Santo André, já foram rececionados mais de 600 pedidos de escusa de responsabilidade por parte dos enfermeiros deste serviço.

Contudo, um esclarecimento enviado à redação pela Secção Regional do Centro lembra que o serviço de urgência desta unidade "possui cerca de 130 enfermeiros que têm enviado em dias diferentes pedidos de escusa. Ou seja, dois ou três, ou mais pedidos podem referir-se a apenas um enfermeiro que esteja a trabalhar em dias/turnos diferentes."

"A situação acaba de se agravar com o pedido de baixa apresentado pelo diretor do serviço, Cláudio Quintaneiro, deixando escalas médicas de clínico geral com turnos a descoberto. Em sua substituição encontra-se, desde o dia 4 de novembro, Salvato Feijó, diretor clínico do Centro Hospitalar de Leiria".

A OE revela ainda que, segundo informações que foram enviadas à SRCentro, "os médicos das restantes especialidades não querem assumir estes doentes", o que leva a que um utente "espere pela primeira observação clínica mais de 15 horas".

"Sabemos que muitos doentes abandonam as longas filas de espera, enquanto outros aguardam pelo dia seguinte para serem observados", denuncia o presidente do Conselho Diretivo da SRCentro, Ricardo Correia de Matos, citado na nota de imprensa.

O responsável considera "imperativo que o Governo tenha conhecimento desta calamidade e que aja rapidamente para que vidas humanas não se percam".

"Estamos a falar da perda de direitos elementares dos cidadãos, como o acesso e a prestação de cuidados de saúde adequados, com segurança e qualidade", acrescenta o presidente do Conselho Diretivo da SRCentro.

Ricardo Correia de Matos apela "a que os enfermeiros se continuem a defender, apresentando diariamente escusas de responsabilidade para, compreensivelmente, se protegerem durante o exercício das suas funções".

A SRCentro informa que, desde janeiro de 2021, foram também recebidos mais de 80 pedidos de exclusão de enfermeiros do Centro Hospitalar do Oeste, "16 deles só na última semana e, na sua maioria, dos serviços da Unidade de Caldas da Rainha", no distrito de Leiria.

Mais recentemente, foram recebidas escusas do Serviço de Urgência do polo Hospitais da Universidade de Coimbra do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra.

"O défice de dotações seguras é transversal a grande parte das unidades hospitalares do país. Não podemos permitir que o Estado feche os olhos e continue a ignorar este problema, mesmo que a sua ação esteja agora limitada no tempo. Mais do que promessas eleitorais, precisamos de soluções reais", conclui Ricardo Correia de Matos.


[notícia atualizada dia 10, às 11h30, com informações da Seção Regional do Centro em relação a número dos enfermeiros]

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