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"Mais vale prevenir"

Santa Maria garante capacidade de antecipação para o inverno

22 set, 2021 - 18:56 • Pedro Mesquita , com redação

João Paulo Gomes, do INSA, e o matemático Carlos Antunes elogiam decisão do Hospital de S. João, no Porto, de ter ampliado o número de camas disponíveis nos cuidados intensivos e os quartos para isolamento.

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O Hospital de Santa Maria, em Lisboa, garante à Renascença que existe capacidade de planeamento e antecipação para um eventual aumento dos internamentos em cuidados intensivos, no inverno, seja por Covid-19 ou outras doenças.

A administração do Hospital de Santa Maria não prestou declarações gravadas, mas lembrou à Renascença que na pior fase de incidência Covid chegaram a estar disponíveis 75 camas nos cuidados intensivos Covid e garante que o mesmo acontecerá, se for necessário, no próximo Inverno.

A norte, o diretor do serviço de Medicina Intensiva do Hospital de S. João, Artur Paiva, adiantou à Renascença que, por prevenção, já foi ampliado o número de camas disponíveis nos cuidados intensivos e duplicou o número de quartos para isolamento.

De acordo com as medidas anunciadas por antecipação para o inverno, o Hospital de S. João decidiu aumentar de 70 para 78 camas em Unidade de Cuidados Intensivos e duplicar para 18 o número de quartos de isolamento.

A estratégia de antecipação de problemas do Hospital de São João, no Porto, é aplaudida na Renascença por João Paulo Gomes, coordenador nacional do Estudo de Diversidade Genética do Instituto Ricardo Jorge (INSA).

“Acho que é uma espécie de um seguro contra algo que pode vir, não quando não se espera, mas se calhar quando se espera. O grau de proteção enorme que todos nós tivemos no inverno passado, em particular a utilização generalizada de máscara, fez com que praticamente ninguém tivesse contacto com o vírus da gripe e tivesse desenvolvido imunidade contra a estirpe que circulou na época passada. Nessa perspetiva, poderemos estar minimamente receosos de que o nosso sistema imunitário possa estar um pouco menos preparado para o que pode vir aí. É um grande ponto de interrogação”, avisa João Paulo Gomes.

É provável que surjam novas variantes do vírus da Covd-19, “não quer dizer que tenham habilidade para contornar o nosso sistema imunitário, mas é possível que isso aconteça”, sublinha o especialista do INSA.

“Numa população perfeitamente imunizada é normal que as únicas variantes do vírus a circular sejam as que se adaptam bem a uma população imunizada.”

Neste cenário, João Paulo Gomes considera que o Hospital de S. João está a dar um “excelente exemplo que devia ser seguido por todos”.

“Há claras indicações para preparar o inverno, se de uma forma formal com linhas específicas e orientadoras, não sei responder. Posso dizer que é um excelente exemplo que devia ser seguido por todos e estou convencido que vai ser. A Direção-Geral da Saúde, se ainda não o fez, irá com certeza emitir recomendações nesse sentido. Mais vale prevenir porque o inverno passado foi muito atípico”, sublinha.

Também o matemático Carlos Antunes, investigador da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, considera prudente antecipar medidas para enfrentar o próximo inverno.

“Pela própria experiência e pela situação que vivemos em dezembro, janeiro e fevereiro, a prudência manda que devemos preparar o inverno, aumento recursos em termos de cuidados intensivos e enfermaria, para podermos acautelar uma situação de aumento de incidência e de internamentos, nomeadamente nas pessoas acima dos 65 anos”, defende Carlos Antunes.

O matemático alerta que o inverno é sinónimo de doenças respiratórias e também para o possível surgimento de novas variantes que possam furar a imunidade da população conseguida através da vacinação.

“É necessário precaver para evitar uma situação de rutura ou crítica nos cuidados intensivos, como aconteceu em janeiro, em que algumas regiões deixaram ultrapassar a sua capacidade hospitalar em cuidados intensivos e depois transformou-se num insucesso em termos de tratamento hospitalar”, recorda.

Carlos Antunes foi o matemático que, em maio passado, sublinhava, com factos concretos, que uma melhor organização, em particular no Centro e em Lisboa e Vale do Tejo, poderia ter-se evitado a morte de mais de quatro mil pessoas, na terceira vaga da pandemia.

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