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Ordem alerta: Faltam médicos e condições no Hospital de Setúbal

20 set, 2021 - 20:43 • João Malheiro, com Lusa

A 25 de agosto, o hospital de Setúbal reconheceu dificuldades na contratação de médicos para as escalas das urgências, mas garantiu que o serviço estava a funcionar normalmente. À Renascença, o presidente do Conselho Regional do Sul da OM avisa que pode haver sobrecarga no Inverno.

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A Ordem dos Médicos (OM) constatou que o hospital de Setúbal tinha esta segunda-feira 47 doentes em macas nos corredores do serviço de urgência, situação que atribuiu à "carência crónica" de clínicos, agravada nos últimos anos.

"Visitamos os serviços de urgência e obstetrícia e verificamos, por exemplo, que a urgência tinha, para além dos atendimentos e das pessoas internadas, 47 macas nos corredores, o que demonstra a insuficiência da capacidade do hospital", contou à Renascença, o presidente do Conselho Regional do Sul da OM.

"Esta pandemia apenas mascarou as graves deficiências do hospital", disse Alexandre Valentim Lourenço, para quem, nos últimos dois anos, o hospital "não tem conseguido captar" os médicos que terminam a especialidade na própria unidade de saúde e que, "por dificuldade de contratação imediata", acabam para ir para outros hospitais públicos ou privados.

De acordo com Alexandre Valentim Lourenço, o hospital "contrata sistematicamente empresas externas que enviam tarefeiros que não têm nenhuma ligação ao hospital" e que não resolvem a falta de clínicos em algumas especialidades.

O presidente do Conselho Regional do Sul aponta ainda que as instalações de urgência "estão muito mal dimensionadas para as necessidades" do Hospital.

"Existe um projeto com mais de cinco anos, para uma nova urgência, mas que nunca iniciou. Por isso, continuamos com uma lotação que não permite receber doentes com conforto e segurança", explicou.

"A oncologia tinha oito médicos há dois anos e neste momento tem dois, o que significa que a maior parte dos cancros que eram tratados pela oncologia médica já estão a ser desviados para outro hospital. A obstetrícia deveria ter 21 médicos e tem 11, dos quais oito têm mais de 57 anos, dois já pediram a reforma este ano e dois pedem no ano seguinte por excesso de idade", exemplificou.

"A maior parte dos serviços tem médicos com mais de 50 anos que já não deviam a estar a fazer urgências, mas continuam a fazer mais de 500 horas extraordinárias a mais", afirmou ainda.

Alexandre Valentim Lourenço alertou ainda para um "inverno difícil" para o Hospital de Setúbal se, entretanto, os problemas não forem resolvidos.

"Este ano, os doentes que já não estão em situação de pandemia vão continuar a afluir ao hospital. É previsível, por exemplo, que a gripe venha com muita força este ano. Estes doentes estão muito vulneráveis e, por isso, é possível que este hospital não esteja capacitado para aguentar este inverno", avisou.

[Atualizado às 23h20, com declarações de Alexandre Valentim Lourenço]

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