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Porto

Alerta de especialista. Situação de Lisboa alastrou-se ao Norte, está aí a quarta vaga

30 jun, 2021 - 10:19 • Marta Grosso

Diretor da Unidade de Urgência e Medicina Intensiva do Hospital de São João, no Porto, não tem dúvidas quanto à existência de uma quarta vaga e diz ser preciso agir já para evitar mais internamentos.

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Ainda não é crítica a situação nos cuidados intensivos e esta nova vaga da doença deverá ser menos grave do que as anteriores, mas o momento é de ação. O apelo chega do diretor da Unidade Autónoma de Gestão de Urgência e Medicina Intensiva do Centro Hospitalar Universitário de São João.

“É o momento de fazer reduzir o impacto da onda”, afirmou Nelson Pereira aos jornalistas, nesta quarta-feira de manhã.

Identificado “este crescimento exponencial de casos", “é momento de todos se coordenarem”, reforça.

Não podemos negar uma quarta vaga, de características diferentes, mas real”, afirma, prevendo que o crescimento do número de casos de Covid-19 continue “nos próximos dias”.

A situação está, contudo, “diferente em relação à gravidade desta doença”, devido à vacinação. “Neste momento, estamos convencidos de que não haverá uma pressão sobre enfermarias e cuidados intensivos”, mas “a doença está a progredir na nossa região e é preciso agir antes que tenhamos acréscimo significativo nos internamentos”, sublinha.

Nesta altura, o Hospital de São João (Porto) tem 22 pessoas internadas em enfermaria e 14 em unidades de cuidados intensivos (UCI).

Os doentes são agora mais novos. “Há uma mudança dos 70 para os 50 e poucos anos”, diz Nelson Pereira, muitos dos quais “não estavam vacinadas e merecem toda a nossa atenção”.

Certo é que há “mais pressão no serviço de urgência” do hospital, tendo já sido utilizados os contentores e a tenda que se encontra à entrada para serviços “como tampão”.

“Vamos gerindo o dia-a-dia de forma flexível e tranquila de modo a não termos percalços”, conclui o diretor de Medicina Intensiva.

Com mais dificuldade de adaptação estão os cuidados primários e o SNS24. “Estamos a falar de estruturas complexas, com muitos atores, que têm naturalmente dificuldades de adaptação a uma mudança que acontece em muito poucos dias diferente da de um hospital”, onde “em quatro/cinco dias conseguimos reformular os processos”, começa por explica Nelson Pereira.

O especialista deixa, por isso, o alerta aos “responsáveis por estas estruturas”. “Testemunhamos as dificuldades de alguns utentes e é nesse sentido importante que os responsáveis tenham consciência disso para rapidamente as poderem resolver”.

De acordo com o boletim epidemiológico de terça-feira, a Região Norte tem um aumento de novas infeções, chegando a níveis de 20 de fevereiro.

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