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Pandemia de ​Covid-19

Número de infetados é maior onde há mais precariedade e iliteracia, revela estudo

09 mai, 2020 - 07:01 • Tiago Palma

O “Barómetro Covid-19” da Escola Nacional de Saúde Pública explica, por exemplo, que a precariedade no trabalho e a dificuldade de acesso a apoios sociais "podem impedir que as pessoas se resguardem mais nas suas habitações", fazendo "pequenos trabalhos para garantir a subsistência a curto prazo" – o que as sujeitará a uma maior exposição à infeção.

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A Escola Nacional de Saúde Pública divulgou este sábado um estudo no qual se conclui que a pandemia de Covid-19 afeta de maneira desigual concelhos em Portugal, bem como países que tenham um contexto socioeconómico mais precário, “podendo mesmo exacerbar as vulnerabilidades pré-existentes ao nível individual”.

No “Barómetro Covid-19”, e sob o título "Quando a pandemia não é igual para todos", a Escola Nacional de Saúde Pública destaca que a saúde piora “a cada degrau que se desce na hierarquia social”. No contexto da pandemia do novo coronavírus a situação não é diferente, seja na fase da infeção, do diagnóstico, do tratamento e, por fim, da sobrevivência ou não.

As condições de vida adversas são, desde sempre, associadas à prevalência de doenças infectocontagiosas. Nos locais com maior densidade populacional, maior sobrelotação das habitações e mais dependência do uso de transportes públicos lotados, é mais difícil o distanciamento entre as pessoas, o que aumenta o risco de transmissão de vírus”, lê-se no “Barómetro Covid-19”, que acrescenta que idosos em lares ou reclusos podem igualmente enfrentar risco acrescido de infeção, “pelo confinamento em espaços mais reduzidos e partilhados com muitas outras pessoas”.

No caso português, e analisando os casos confirmados de Covid-19 em 308 concelhos, a Escola Nacional de Saúde Pública conclui que é naqueles onde existe maior densidade populacional “que existe também uma maior incidência acumulada de casos”.

Outro problema identificado é o da literacia. Desde logo, é explicado no estudo, “a falta de compreensão em algumas camadas populacionais sobre a forma como se propaga a doença pode dificultar a implementação ou adoção das medidas propostas pelos governos”, nomeadamente o cumprimento adequado da etiqueta de higiene ou o uso apropriado de equipamentos de proteção.

Mesmo a avaliação da necessidade de distanciamento social pode ser comprometida por um menor nível de literacia, o que pode justificar algumas fugas ao confinamento obrigatório”, refere ainda o estudo.

Por outro lado, o rendimento pode igualmente ter peso na transmissão da Covid-19. Porquê? “O rendimento é condição necessária para o acesso a melhores condições de habitabilidade, com adequada rede de abastecimento de água e de esgotos que, por sua vez, são essenciais à higienização pessoal, necessária para diminuir a exposição à infeção.”

A Escola Nacional de Saúde Pública lembra que uma em cada quatro pessoas que ganham menos de 650 euros mensais perderam totalmente o seu rendimento.

“A precariedade no trabalho, remuneração desadequada face ao custo de vida e a dificuldade de acesso a apoios sociais podem impedir que as pessoas se resguardem mais nas suas habitações, para se protegerem do vírus. Trabalhos que não podem ser realizados à distância ou a necessidade de continuar a fazer pequenos trabalhos para garantir a subsistência a curto prazo, sujeitam as pessoas a uma maior exposição à infeção”, defende o estudo.

Assim, em Portugal, é nos concelhos com maior taxa de desemprego que existe maior número acumulado de infeções pelo novo coronavírus. Uma situação que não é tão diferente assim da realidade europeia. Segundo o estudo, “a maior incidência acumulada de casos por 100 mil habitantes é associada a países com maior taxa de desemprego e desigualdade de rendimento”.

A nível global, a pandemia já provocou mais de 271 mil mortos e infetou mais de 3,8 milhões de pessoas em 195 países e territórios. Mais de 1,2 milhões de doentes foram considerados curados.

Em Portugal, morreram 1.114 pessoas das 27.268 confirmadas como infetadas, e há 2.422 casos recuperados, de acordo com a Direção-Geral da Saúde.

O FMI prevê uma recessão em Portugal de 8% e uma taxa de desemprego de 13,9% em 2020. Já Bruxelas, estima uma contração da economia nacional de 6,8%, menos grave do que a média europeia, mas projeta uma retoma em 2021 de 5,8% do PIB, abaixo da média da UE (6,1%) e da zona euro (6,3%).

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  • Treta
    09 mai, 2020 Online 12:21
    Treta
  • FIlipe
    09 mai, 2020 évora 12:12
    Depois dizem que o do CHEGA é racista ... agora dizem uma barbaridade abismal , Luis Sepúlveda e outros também não sabiam ler ... Tenham vergonha , quando meteram medidas de restrição à liberdade para os de 70 anos ninguém os acusou de racismo ou autoritarismo . Só porque uma pessoa deputada quer uma plano para uma comunidade cigana que normalmente vive à margem da lei , porque se acha como os negros uma comunidade de minoria e quer ter mais importância do que os seus semelhantes , é enxovalhado por um jogador que até é conhecido por ter problemas com a justiça , entre outros . O homem tem razão ! Não é por isso que é seguidor de Hitler , que o é são os atuais Governantes que escondem a maldade de forma subtil e enganadora .

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