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Pais com horário reduzido até aos três anos dos filhos? Quatro mil dizem "sim" em 24 horas

18 abr, 2016 - 15:35

Petição lançada pela Ordem dos Médicos pretende fazer aumentar a natalidade e contribuir para “o desenvolvimento emocional” da criança.

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A petição que reclama a redução do horário de trabalho para acompanhamento dos filhos até aos três anos, lançada no sábado, ultrapassou as sete mil assinaturas em dois dias.

Iniciativa da Ordem dos Médicos, a petição pugna pela redução do horário de trabalho para um dos pais até cada filho completar três anos, independentemente de a criança ser amamentada ou não.

"É uma medida positiva e de grande valor para a relação afectiva e para o desenvolvimento das crianças e isso está cientificamente demonstrado", afirma à agência Lusa o bastonário José Manuel Silva, quando foi lançada a petição.

Além disso, acrescenta, permite ultrapassar as dificuldades de certificar a amamentação por parte da mulher quando a criança faz um ano – algo que já criou polémica e problemas em algumas instituições, lembra.

Mas o principal argumento para o lançamento da petição é o desenvolvimento emocional dos bebés e a convicção de que a relação precoce com os cuidadores "é absolutamente determinante para a construção da personalidade".

"Toda a intervenção que for feita de apoio à parentalidade tem repercussões a médio e longo prazo extremamente elevadas", refere Pedro Pires, da direcção do Colégio de Psiquiatria da Infância e Adolescência da Ordem.

Só nas primeiras 24 horas, a petição atingiu as quatro mil assinaturas exigíveis para que a proposta seja votada pelo Parlamento. Ao início da tarde desta segunda-feira, somava sete mil aderentes.

A redução do horário laboral em duas horas está já consagrada no Código de Trabalho, para efeitos de amamentação e até aos bebés terem um ano de idade, sendo que, a partir desse momento, as mulheres terão de fazer prova – por atestado – de que estão a amamentar.

Além do "investimento no desenvolvimento social e afectivo da criança", o bastonário dos Médicos refere que a medida serve de apoio à natalidade em Portugal, dado que o valor baixo dessa taxa, o que "põe em causa o futuro demográfico do país".

Comentários
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  • M.Amélia C. Campos
    19 abr, 2016 Almada 22:19
    Tudo o que seja criar oportunidades para a manifestação dos afectos entre os pais e as crianças, está comprovado que fortalece o seu desenvolvimento, proporcionando relações familiares sadias.
  • Tai
    19 abr, 2016 Lisbon 10:09
    Onde está o link da petição para assinarmos??
  • carlos ramalho
    18 abr, 2016 ermesinde 23:21
    concordo plenamente com o Pedro,em vez de estarmos a financiar atls privados temos de criar condiçoes nas escolas primarias para receberem crianças a partir dos 6 meses mas financiados em parte pelos pais,e acho tambem que a escola primaria deveria incluir tambem o 5 e o 6 ano para que os nossos filhos fossem melhor preparados para o secundario.
  • FILIPE EIRAS
    18 abr, 2016 AVEIRO 21:48
    NEM CONTRA, NEM A FAVOR. PORQUE NÃO É SÓ TER BOAS CONDIÇOES PARA CRIAR UM FILHO, É PRECISO VER SE O PAIS, POBRE, AGUENTA ISSO MUITO TEMPO. AS EMPRESAS PRIVADAS AGUENTAM?? AS PUBLICAS JÁ SABEMOS QUE SOMOS N´S, POBRES, A PAGAR... E TENHO DITO 18/04/2016 21h 47m
  • Pedro Andrade
    18 abr, 2016 Braga 21:44
    Algo me diz que muita gente ainda não percebeu que o retrocesso económico é real e inevitável e que, consequentemente, temos de nos preparar para retrocesso de qualidade de vida. Ontem já era tarde para acordarem desse sonho autista.
  • jose
    18 abr, 2016 lisboa 21:11
    Desde que os custos não sejam suportados pelas empresas, senão vira-se o feitiço contra o feiticeiros. E só saiem beneficiados mais uma vez os empregados das garndes empresas e os mamões do costume os funcionários publicos...
  • Victor
    18 abr, 2016 Lisboa 20:10
    Pura ilusão. Em Portugal isso nunca acontecerá, com a mentalidade da maioria das entidades patronais. E penso que é salutar não se registar uma explosão demográfica elevada. Tudo aponta para que as nossas crianças, venham a ser os escravos no futuro. Infelizmente.
  • Pedro
    18 abr, 2016 Lisboa 19:48
    Eu só gostava d saber desde quando é que é responsabilidade das empresas financiar medidas de apoio a natalidade e, ou educação. Além disso, e de acordo com outros comentários, o maior problema que os pais tem neste momento não é esse mas sim o custo das infantários e o horário dos mesmos. Um infantário "barato" custa cerca de 350€ mês, e o horário é normalmente até ás 18h, a partir do qual os pais tem de pagar o "horário alargado", facilmente um infantário custa acima dos 400€./mês. Isto sim é um problema! Querem apoiar os pais? e incentivar a natalidade? Criam uma rede de infantários publicos. E sim, iria custar dinheiro, mas podiamos começar por financiar esta rede de infantários com o dinheiro que é agora usado para cofinanciar os colégios privados. Já sem falar que seria um invetimento para o futuro, visto que estamos um pais "envelhecido".
  • odete
    18 abr, 2016 coimbra 18:57
    Brilhante ideia.Apoio . Não sei se há estudos sobre o nº de vezes que a mãe falta ao trabalho a partir do momento em que "deposita" a criança na creche e até ela fazer um ano.Seria interessante fazer uma avaliação para se saber quais os custos entre o prolongamento do tempo de licença de maternidade e o nº de vezes que a mãe falta ao serviço( entre os 5 meses e um ano).. Para quem trabalha na área da saúde (hospitais) e tem filhos ,os fins de semana (com urgências)são um problema. Com quem ficam os filhos? As direções dos hospitais podiam disponibilizar/criar um espaço "uma mini creche" para apoiar os pais aos fins de semana quando estão de banco.
  • fernando
    18 abr, 2016 barreiro 18:47
    De que será que a ordem dos médicos quererá desviar as atenções?? Embora esteja de acordo em parte com a questão não será neste momento de perfeita aflição económica das empresas, do estado e das próprias famílias que vem com esta questão? Com tanto problema na saúde com pessoas a morrer com falta de assistência, com pessoas que não podem sequer seguir os tratamentos por falta de dinheiro, falta de médicos de enfermeiros de cortes brutais nos exames e diagnósticos..... é deveras estranho

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