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​Twitter acusado de ajudar Arábia Saudita a cometer violações dos direitos humanos

04 set, 2023 - 14:44 • Marta Pedreira Mixão

Num processo judicial a decorrer nos EUA, rede social é acusada de divulgar dados de utilizadores a pedido das autoridades sauditas a um ritmo muito elevado.

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A rede social X, anteriormente conhecida como Twitter, foi acusada num processo civil, nos EUA, de ajudar a Arábia Saudita a cometer graves violações dos direitos humanos, nomeadamente através da divulgação de dados confidenciais dos utilizadores a pedido das autoridades sauditas.

O processo judicial, noticiado esta segunda-feira pelo "The Guardian", foi instaurado em maio deste ano por Areej al-Sadhan - irmã de um trabalhador humanitário saudita que foi condenado a 20 anos de prisão – e relata a infiltração de três agentes secretos sauditas na empresa, dois deles fazendo-se passar por funcionários do Twitter em 2014 e 2015. A situação levou à detenção do irmão de al-Sadhan e à exposição da identidade de milhares de utilizadores do Twitter. Alguns terão sido posteriormente detidos e torturados no âmbito da repressão governamental de críticos e dissidentes.

Os advogados de Al-Sadhan atualizaram a respetiva queixa, apresentada em maio, na semana passada para incluir novas alegações sobre a forma como o Twitter, à data sob a liderança de Jack Dorsey, ignorou deliberadamente ou como prestou apoio ao país - devido a questões financeiras -, mesmo quando tinha conhecimento da campanha do governo saudita para eliminar determinados elementos.

O novo processo veio a público dias depois de a Human Rights Watch ter condenado um tribunal saudita que sentenciou um homem à morte com base apenas na sua atividade no Twitter e no YouTube, o que a organização classificou como uma "escalada" da repressão do Governo contra a liberdade de expressão.

O homem condenado, Muhammad al-Ghamdi, de 54 anos, é irmão de um académico saudita e crítico do reino que vive exilado no Reino Unido.

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