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Angola. Polícia dispersa marcha contra subida dos combustíveis em Luanda

17 jun, 2023 - 17:58 • Lusa

Autoridades recorreram a gás lacrimogéneo. Há relatos de feridos e detidos.

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Foto: Ampe Rogerio/EPA
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A polícia angolana dispersou este sábado, em Luanda, a marcha contra a subida do preço do combustível e fim da venda ambulante, usando gás lacrimogéneo contra os manifestantes, originando pânico e desmaios, havendo relatos de alguns feridos e detidos.

A carga policial aconteceu pouco depois de a marcha iniciar o seu trajeto em direção à Mutamba, a cerca de 500 metros do local da concentração, junto ao cemitério de Santana.

A marcha, convocada por ativistas e membros da sociedade civil angolana, teve início de forma fragmentada no Largo do Cemitério da Santa Ana, sendo que os manifestantes se fizeram à Avenida Deolinda Rodrigues, pouco depois das 12h30, meia hora antes do horário previsto.

O movimento das centenas de manifestantes, entre ativistas, membros da sociedade civil, mototaxistas e até "zungueiras" (vendedoras ambulantes) surpreendeu os efetivos da polícia no local, facto que causou um rápido desdobramento após serem "engolidos" pela multidão.

Perante a velocidade dos manifestantes, que marchavam nas duas faixas da avenida, foi solicitada a intervenção da Polícia de Intervenção Rápida (PIR), tendo esta montado uma barreira logo em cima do viaduto da Unidade Operativa.

A barreira montada pela PIR enfureceu os manifestantes que pretendiam transpor o viaduto, gritando "a polícia é do povo e não é do MPLA (partido no poder)", enquanto uma outra ala da marcha circulava numa das faixas debaixo do viaduto sem impedimentos.

Os manifestantes "impossibilitados" de marcharem por cima do viaduto insistiram no itinerário e, em resposta, a polícia recorreu a granadas de gás lacrimogéneo, facto que causou pânico e, consequentemente, a dispersão da marcha.

Durante quase meia hora, a polícia lançou gás lacrimogéneo contra os manifestantes que insistiam em circular pelo viaduto, mas também contra os que se refugiavam nas zonas circunvizinhas do bairro Popular, distrito do Rangel e mercado dos Congolenses.

O pânico tomou conta daquela zona, assistindo-se a pessoas desmaiadas, enquanto outros procuravam locais de refúgio e a polícia reforçava mais o seu efetivo, com viaturas e cães. O trânsito de viaturas ficou cortado, havendo relatos de detidos e feridos.

"Não conseguimos trabalhar para sustentar a família"

Nas zonas adjacentes ao Largo 1.º de Maio, a polícia também montou um forte aparato policial e eram também audíveis as granadas de gás lacrimogéneo para dispersar os manifestantes que marcharam debaixo do viaduto.

O carro alegórico, onde se encontravam alguns dos organizadores que, com palavras de ordem, orientavam os manifestantes, também não transpôs o cordão policial que se encontrava naquele viaduto.

"Abaixo a miséria", "não queremos sobreviver, queremos viver", "o preço da gasolina subiu, o arroz subiu, o custo de vida subiu, só o salário não subiu" eram algumas das frases nos cartazes dos manifestantes, que aderiram ao protesto, considerado "pacífico" pela organização.

Os mototaxistas, que se dizem penalizados com a subida do preço do combustível, também se juntaram à manifestação, queixando-se de dificuldades para exercer a atividade e para sustentar a família. "Viemos para protestar contra o preço da gasolina, que está muito cara, muitos de nós não conseguem abastecer as motos, temos enfrentado dias péssimos", disse José Manda, à Lusa.

António Manuel Tomás, também mototaxista, juntou-se à marcha para protestar contra a subida do preço do combustível e dos produtos da cesta básica. "Vim cá porque o que nós constatamos atualmente está péssimo, a vida não favorece, as coisas nos armazéns sobem, não conseguimos trabalhar para sustentar a família", lamentou.

Lamentos também surgidos nas palavras da "zungueira" Teresa Araújo, que se queixou de dificuldades devido ao fim da venda ambulante na capital angolana e dos atuais preços dos bens da cesta básica.

"Vim aqui porque o nosso país está mal, os armazéns estão fechados, somos mulheres solteiras, pagamos escola, alimentação, saco de arroz subiu 14 mil kwanzas (17,9 euros) e, então, está muito mal", atirou, perante aplausos das restantes colegas.

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