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GUERRA NA UCRÂNIA

Moscovo confirma suspensão da circulação de navios no mar Negro

31 out, 2022 - 20:52 • Lusa

Rússia justifica a decisão devido a um alegado ataque de 'drone' a uma das suas frotas.

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O ministério da Defesa russo anunciou hoje a suspensão do movimento de navios pelo "corredor de segurança" no mar Negro, após ter interrompido o acordo sobre as exportações de cereais, alegando um ataque de 'drones' contra a sua frota.

"Até que a situação em torno da ação terrorista cometida pela Ucrânia em 29 de outubro contra navios de guerra e embarcações civis na cidade de Sebastopol seja esclarecida, o tráfego pelo corredor de segurança da 'Iniciativa do Mar Negro' está suspenso", refere o comunicado oficial.

No sábado, a Rússia tinha anunciado a suspensão da sua participação no acordo sobre as exportações de cereais dos portos ucranianos após um ataque de 'drones' que visou a frota russa estacionada na baía de Sebastopol, na Crimeia anexada.

O ministério da Defesa salientou hoje a que a Rússia "não se retira" do acordo, mas suspende-o.

O acordo, concluído em julho sob a égide da ONU e da Turquia, permitiu a exportação de milhões de toneladas de cereais retidos nos portos ucranianos desde a invasão russa em fevereiro, que fez com que os preços dos alimentos disparassem, aumentando o receio da fome.

Segundo Moscovo, "nas condições atuais, a segurança" de qualquer navio não pode ser garantida até que o lado ucraniano se comprometa a "não usar esta rota para fins militares".

"A movimentação de navios ao longo do corredor de segurança é inaceitável, pois as autoridades ucranianas e as Forças Armadas do país utilizam-no para realizar operações militares contra a Federação Russa", acrescenta a nota.

O ministério da Defesa observa ainda que esta posição de Moscovo foi transmitida ao secretário-geral da ONU, António Guterres, e ao Conselho de Segurança.

Moscovo conta com a cooperação de António Guterres para receber garantias da Ucrânia de que "não utilizará o corredor humanitário e os portos" que participam na iniciativa de exportação de cereais "para realizar ações militares contra a Rússia".

Minutos antes, o embaixador russo nas Nações Unidas, Vasily Nebenzya, tinha anunciado que Moscovo não permitira que navios cruzassem o mar Negro sem inspeção.

Nebenzya também acusou a Ucrânia de utilizar este mecanismo para fins militares e destacou que o seu país não pode permitir a passagem de navios que não inspecionou e que, por isso, terá que tomar as suas próprias "medidas de controlo" se o tráfego continuar.

O Kremlin alertou hoje que a implementação do acordo de exportação de cereais dos portos ucranianos nas condições atuais era arriscada e perigosa.

"Quando a Rússia fala sobre a impossibilidade de garantir a segurança da navegação nessas áreas, tal acordo é pouco viável e assume um caráter muito mais arriscado, perigoso e inseguro", destacou o porta-voz presidencial russo Dmitri Peskov.

Ao mesmo tempo, o Kremlin referiu que fez contactos com a Turquia e a ONU sobre o futuro do pacto, assinado em julho.

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  • E a Rússia a gozar
    31 out, 2022 Com isto tudo 22:45
    A falta que fazem lideres a sério e não líderes de papelão, por cá, no Ocidente. Com líderes a sério, já ia a caminho uma esquadra NATO para assegurar a navegação e se necessário, para mandar para o fundo a esquadra russa do Mar Negro. Mas claro, antes de 50 reuniões de análise das últimas declarações do Kremlin, não se deve fazer nada...

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