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Agência Internacional de Energia

Invasão russa da Ucrânia pode "paradoxalmente" acelerar transição energética

27 out, 2022 - 12:47 • Lusa

A oito dias da Conferência Mundial sobre o Clima (COP 27), Agência Internacional de Energia adverte para a "divisão" entre países ricos e pobres em termos de investimento em energia descarbonizada e pede redução desse "fosso preocupante".

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A Agência Internacional de Energia (AIE) afirmou esta quinta-feira que, paradoxalmente, a invasão da Ucrânia pela Rússia pode ter um efeito positivo para o clima, na forma de uma potencial aceleração da transição energética devido ao aumento do investimento em energia sustentável.

No relatório anual de 2022 hoje divulgado, a AIE esclarece que esta potencial aceleração decorre da previsão de que as emissões globais de gases com efeito de estufa relacionados com a energia atinjam um "ponto alto" já em 2025.

Oito dias antes da Conferência Mundial sobre o Clima da COP27 no Egito, a agência advertiu também no relatório para a "divisão" entre países ricos e pobres em termos de investimento em energia descarbonizada, apelando a um "grande esforço internacional" para "reduzir" este "fosso preocupante".

"A crise energética global desencadeada pela invasão da Ucrânia pela Rússia está a causar mudanças profundas e a longo prazo que têm o potencial de acelerar a transição para um sistema energético mais sustentável e seguro", disse a AIE no documento de apresentação do relatório.

Pela primeira vez, os três cenários estudados todos os anos pela agência sediada em Paris, uma filial da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), identificam um pico no consumo de cada um dos combustíveis fósseis (carvão, gás, petróleo) que estão a sufocar o planeta e a provocar o aquecimento global.

No cenário central, que se baseia em compromissos governamentais já anunciados para investimentos climáticos ("Inflation Reduction Act" nos EUA, "Fit for 55" e "RePowerEu" na Europa, "Green Transformation" no Japão...), as emissões globais de dióxido de carbono (CO2) relacionadas com a energia atingiriam um pico de 37.000 milhões de toneladas em 2025, caindo depois para 32.000 milhões de toneladas em 2050.

Mas, apesar destes esforços, as temperaturas médias subiriam cerca de 2,5 graus até 2100, o que está "longe de ser suficiente para evitar consequências climáticas severas".

A Agência sublinha mais uma vez a necessidade de investimento maciço em energia limpa, verde ou simplesmente descarbonizada, como a energia nuclear, e de aceleração em certas áreas como as baterias elétricas (para automóveis), fotovoltaicas, e eletrolisadores que irão produzir hidrogénio para descarbonizar a indústria em particular.

No cenário central, estes investimentos teriam de exceder 2.000 mil milhões de dólares até 2030, e teriam de subir para 4.000 mil milhões de dólares para satisfazer as condições do cenário com emissões líquidas zero em 2050.

"São necessários grandes esforços internacionais para colmatar o fosso preocupante no investimento em energia limpa entre economias avançadas e emergentes e em desenvolvimento", disse a AIE.

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