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Japão

Baratas ciborgues podem localizar vítimas em desastres naturais

23 set, 2022 - 11:50 • Reuters

Investigadores japoneses demonstraram a possibilidade de equipar insetos com "mochilas" de células solares e dispositivos eletrónicos, para controlar remotamente os movimentos dos animais.

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Se, num futuro não muito distante, ocorrer um terramoto e os sobreviventes ficarem presos debaixo de toneladas de escombros, os socorristas responsáveis pela localização das vítimas podem ser enxames de "baratas ciborgues".

Esta é uma possível aplicação para a recente descoberta de investigadores japoneses, que demonstraram a possibilidade de equipar insetos com "mochilas" de células solares e dispositivos eletrónicos, para controlar os movimentos dos animais remotamente.

Kenjiro Fukuda e a sua equipa, do laboratório Thin-Film Device - que pertence ao centro de investigação japonês Riken -, desenvolveram uma película flexível de células solares com quatro mícrones de espessura, cerca de 1/25 da largura de um fio de cabelo humano, que pode caber no abdómen da barata.

Segundo os cientistas, a película permite que a barata se mova livremente, enquanto a célula solar gera energia suficiente para processar e enviar sinais aos órgãos sensoriais localizados no inseto.

O estudo baseia-se em experiências anteriores de controlo de insetos, realizados na Universidade Tecnológica de Nanyang, em Singapura, e pode, uma dia, dar origem a insetos ciborgues que poderão entrar em áreas consideradas perigosas de forma muito mais eficiente do que robôs.

"As baterias dentro de pequenos robôs esgotam-se rapidamente, o que torna o tempo para exploração mais curto", disse Fukuda.

"Uma das vantagens [de um inseto ciborgue] é que, quando se trata da movimentação, é o inseto está a gerar o seu próprio movimento, pelo que a eletricidade necessária é menor", explica.

A equipa de Fukuda escolheu as baratas sibilantes de Madagáscar para realizar esta experiência, uma vez que são suficientemente grandes para transportar o equipamento e não têm asas, que atrapalhariam o processo. Mesmo com a mochila e o filme colados às costas, os insetos conseguem atravessar pequenos obstáculos ou endireitar-se quando virados ao contrário.

Numa demonstração recente, o cientista Riken Yujiro Kakei utilizou um computador e o sistema bluetooth para fazer a barata ciborgue virar à esquerda, mas quando lhe foi dado o sinal para virar à direita o inseto ficou a girar em círculos. A investigação ainda tem, por isso, um longo caminho pela frente.

Um dos próximos desafios é reduzir o tamanho dos componentes, para que os insetos possam mover-se mais facilmente, permitindo a montagem de sensores e mesmo câmaras.

A "mochila" e a película podem ser removidos, permitindo que as baratas voltem ao normal.

Além dos insetos de resgate para situações de desastres naturais, Fukuda vê várias aplicações para a película de células solares, como por exemplo, a sua incorporação em peças vestuário para a monitorização de sinais vitais ou um guarda-sol coberto com o material, que num dia de sol, poderia gerar eletricidade suficiente para carregar um telemóvel.

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