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Transição energética

A partir de 2035 só haverá veículos com "zero emissões poluentes" na Califórnia

26 ago, 2022 - 12:28 • Redação com lusa

Estado norte-americano segue as pisadas da UE, com potenciais implicações para o resto dos EUA e do mundo.

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A Califórnia quer que todos os carros novos e outros veículos tenham "zero emissões" poluentes em 2035, o mais tardar, segundo um texto aprovado esta semana pelos reguladores daquele estado norte-americano, que lidera os esforços para uma transição energética nos EUA.

A medida, que foi debatida e votada pelo Conselho de Qualidade do Ar da Califórnia (CARB, na sigla em inglês), formalizará os objetivos estabelecidos em setembro de 2020 pelo governador democrata Gavin Newsom, e que deve incentivar outros estados a seguirem o exemplo.

Este projeto prevê diferentes etapas e visa veículos a diesel e gasolina. Antes da votação, Daniel Sperling, um dos membros do CARB, já tinha garantido que a proposta tinha "99,9%" de hipóteses de ser aprovada.

Uma mudança faseada

Assim, em 2026, um terço das vendas de carros na Califórnia deve ser de veículos de "emissão zero", ou seja, apenas veículos movidos a eletricidade, hidrogénio e determinados veículos híbridos.

Até 2030, as vendas devem representar dois terços para este tipo de veículos.

"É monumental. É a coisa mais importante que o CARB fez nos últimos 30 anos. É importante não apenas para a Califórnia, mas para o país e o mundo", sublinhou Daniel Sperling, em entrevista à estação CNN.

A Califórnia, com os seus mais de 40 milhões de consumidores, é o maior mercado dos EUA e os seus padrões têm impacto na indústria de todo o país.

A General Motors já anunciou, em janeiro de 2021, a sua intenção de não fabricar mais carros com emissões poluentes até 2035, mesmo que o grupo não se tenha comprometido, de forma concreta, em disponibilizar apenas veículos elétricos no espaço de 13 anos.

A aprovação desta medida na Califórnia ocorre num momento em que o Presidente dos EUA, Joe Biden, apresentou um amplo plano de investimento no combate às alterações climáticas e na saúde na semana passada.

E no resto do mundo?

A lei prevê quase 375 mil milhões de dólares (368,9 mil milhões de euros) em programas climáticos e de energia destinados a ajudar o país a reduzir as emissões de gases de efeito estufa em cerca de 40% até 2030.

Nos últimos anos, muitos países, especialmente na Europa, têm procurado limitar a poluição do setor automóvel. Em junho, os Estados-membros da União Europeia chegaram a acordo para proibir a venda de veículos com motores de combustão de 2035 em diante.

O Reino Unido, Singapura e Israel comprometeram-se a terminar com as vendas de novos veículos a gasolina e diesel até 2030, e a Noruega assumiu esse compromisso para 2025.

Segundo os cientistas, a atividade humana, em particular o uso de combustíveis fósseis, levou ao aquecimento global, que por sua vez contribuiu para tornar os eventos climáticos extremos mais frequentes e violentos.

Uma das soluções para combater esse aquecimento consiste em limitar as emissões poluentes dos combustíveis fósseis.

Comentários
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  • BJFonseca
    29 ago, 2022 Castelo Branco 11:59
    Uma questão. E o lado sujo dos elétricos, e o buracos do lítio (que é um metal finito e só durará para 80 anos), ou do cobalto no Congo e as deformações com que nascem as crianças, e toda a poluição que esta indústria irá gerar? Falsa ecologia, discurso polarizado. Vamos só "salvar" o mundo para alguns? Só a título de exemplo: 1 tonelada de lítio necessita de 2.1 milhões de litros de água (temos imensa em Portugal) para o refinar e dá para imensas baterias , 80 carros (com um tempo de vida finito). Isto é que é a ecologia hoje em dia!

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