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Dia 37 de Guerra. Negociações vão regressar quando já há quatro milhões de refugiados

02 abr, 2022 - 01:44 • João Carlos Malta

O retomar das negociações, o ataque a uma cidade russa, e uma avalanche de refugiados que não pára. O filme do dia da guerra e os principais acontecimentos no fim da 5a semana de conflito.

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Esta sexta-feira, no 37º dia de guerra, o conflito ficou marcado por o retomar das negociações anunciado pela Rússia e a Ucrânia. Mas ao contrário do que já aconteceu no passado, as mesmas não vão ocorrer de forma presencial.

"Continuamos as negociações por videoconferência. As nossas posições sobre a Crimeia e Donbass [leste ucraniano] não mudaram”, informou o negociador russo Vladimir Medinsky, na sua conta da rede social Telegram, referindo-se à península anexada por Moscovo em 2014 e à região das duas repúblicas separatistas parcialmente sob controlo de movimentos pró-russos.

Também Mykhailo Pololiak, negociador ucraniano, confirmou o retomar das negociações por videoconferência, acrescentando que o encontro está a ser realizado entre vários subgrupos de trabalho.

Entretanto, as conversações podem ser perturbadas por um novo facto. Dmitri Peskov, porta-voz do Kremlin, admite que o ataque ucraniano a um depósito de combustível situado numa cidade russa, Belgorod, pode afetar as negociações entre a Rússia e a Ucrânia.

“Está claro que não se pode considerar isto como algo que vai criar as condições apropriadas para a continuidade das negociações”.

Em relação à política economica da Rússia, o ex-presidente e vice-chefe do conselho de segurança, Dmitry Medvedev, avisou que as exportações russas no futuro irão apenas para os amigos. “Só forneceremos produtos alimentares e agrícolas aos nossos amigos”, disse Medvedev nas redes sociais, citado pela Reuters.

“Felizmente temos muitos, e eles não estão na Europa ou na América do Norte.”

Os produtos agrícolas estarão disponíveis “em rublos e na moeda nacional dos países amigos, em proporção acordada”, disse ainda Medvedev.

O que não pára de aumentar é o número de refugiados: são mais de 4,1 milhões de pessoas as que já fugiram da Ucrânia desde a invasão ordenada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, em 24 de fevereiro.

Os dados divulgados hoje pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

Desde 22 de março, o fluxo de refugiados diminuiu acentuadamente, para cerca de 40.000 travessias diárias.

“Forçados a fugir para se manterem vivos. Forçados a abandonar as suas casas. Forçados a separarem-se das suas famílias. Esta tragédia tem de acabar”, sublinhou o ACNUR.

No total, mais de 10 milhões de pessoas, ou seja, mais de um quarto da população da Ucrânia, tiveram de abandonar as respetivas casas na sequência da ofensiva militar russa.

Por fim, num levantamento não exaustivo divulgado hoje, feito a partir de imagens de satélite e de testemunhos recolhidos, a UNESCO revela que ficaram destruídos ou danificados 29 locais religiosos, 16 edifícios históricos, quatro museus e quatro monumentos.

Entre os sítios atingidos estão o museu Ivankiv de Kiev, a igreja ortodoxa de Kamaianka, em Izium, e uma outra em Zadonsky, na região de Zaporijia.

Segundo a agência France-Presse, a UNESCO não tem ainda informações sobre o nível de destruição em Mariupol e Kherson, ocupadas pelas forças russas.

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