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​Fugir e pegar em armas. Português explica como os seus 30 funcionários enfrentam a guerra na Ucrânia

03 mar, 2022 - 18:39 • Cristina Nascimento

Filipe de Botton é um dos proprietários da Logoplaste, empresa que tem uma fábrica no centro de Kiev onde trabalham 30 ucranianos.

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Na voz de Filipe de Botton transparece a estupefação, a tristeza e a revolta. É um dos proprietários da Logoplaste, empresa que tem cerca de 2.600 funcionários, 95% dos quais trabalham fora de Portugal. É o caso de 30 ucranianos que trabalham numa fábrica da localizada no centro de Kiev.

De um dia para o outro, a vida destes três dezenas de funcionários mudou. Filipe de Botton está em Portugal e conta à Renascença o relato que recebeu de Kiev nas primeiras horas depois de ter estalado o conflito armado.

“'As famílias todas estão a refugiar-se, umas já saíram de Kiev, outras com os engarrafamentos ainda não conseguiram. Eu e o meu adjunto vamos pegar em armas’”. Isto é o que diz a diretora da fábrica a Filipe de Botton.

“De repente, uma senhora fantástica, de 43 anos, que nunca lhe passou pela cabeça matar, no dia seguinte vai matar em defesa do seu país, da liberdade, dos valores em que acredita, em nossa defesa. Isto é arrepiante”, descreve.

Filipe de Botton diz que “a preocupação diária tem sido saber como estão” e tentar ajudar como podem. “Imediatamente, na quinta-feira passada, em antecipação enviámos a todos três meses de ordenado para eles terem liquidez, preocupamo-nos com a segurança pagando transporte para eles saírem para onde quisessem”, explica.

E afinal onde estão os 30 funcionários? “Todos estão na Ucrânia, alguns em casa de amigos e familiares, outros ficaram em Kiev, sendo que à noite recolhem-se nas estações de metropolitano”, diz Filipe de Botton.

Para já, as comunicações no país continuam ativas e por isso o empresário que estão todos vivos, mas sabe também que se sentem desesperados e revoltados “por um lado, pela invasão, e por outro porque nós, europeus, não ajudarmos de forma mais efetiva”.

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