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Polícia britânica vai investigar fundação do príncipe Carlos por corrupção

16 fev, 2022 - 18:52 • Lusa

A Polícia Metropolitana de Londres (Met) anunciou hoje que vai investigar a Fundação do Príncipe Carlos, herdeiro da coroa britânica, por alegadamente aceitar doações em troca de favorecimento para a atribuição de títulos e distinções.

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Num comunicado, a Met (também conhecida como Scotland Yard, nome do seu quartel-general), informou que decidiu abrir uma investigação após a divulgação pela imprensa, no ano passado, de que um dos colaboradores mais próximos de Carlos, Michael Fawcett, se demitiu da direção da fundação depois de interceder para que um milionário saudita recebesse uma das mais altas distinções do Reino Unido.

A Clarence House, residência oficial do herdeiro, disse hoje que o príncipe não tem conhecimento de terem sido feitas tais propostas de atribuição de honrarias ou concessão da nacionalidade britânica em troca de doações.

"A Polícia Metropolitana pôs em marcha uma investigação sobre as denúncias de crime nos termos da Honors Act (Lei das Distinções, que impede abusos deste tipo) de 1925", lê-se no comunicado, citado pela agência noticiosa espanhola Efe.

"A decisão foi tomada após a análise de uma carta em setembro de 2021, relacionada com uma informação na comunicação social na qual se afirmava que foram feitas propostas de ajuda para a atribuição de distinções ou cidadania a um cidadão saudita", sublinhou a Scotland Yard.

Em resultado desta análise, a Fundação do Príncipe (The Prince's Foundation) forneceu uma série de documentos relevantes, segundo a Met.

"Estes documentos foram analisados juntamente com a informação já existente. A análise determinou que se abrirá uma investigação. Não foram realizadas detenções nem interrogatórios", precisou.

De acordo com uma investigação do jornal Sunday Times, Michael Fawcett, diretor-executivo da Fundação do Príncipe -- instituição educativa que promove o envolvimento ambiental e a cultura -, demitiu-se em novembro de 2021, depois de ter sido revelado que intercedera para que o empresário Mahfuz Marei Mubarak bin Mahfuz, de 51 anos, fosse distinguido como comendador honorário da Ordem do Império Britânico.

O milionário saudita, que nega ter cometido qualquer ilegalidade, havia doado mais de 1,5 milhões de libras (1,75 milhões de euros) a organizações não-governamentais ligadas à Casa Real britânica antes de receber a sua condecoração.

O Sunday Times chegou a publicar que Mahfuz pagou "dezenas de milhares de libras" a pessoas do círculo próximo do príncipe de Gales por o terem ajudado a obter a condecoração.

O príncipe Carlos entregou-lha numa cerimónia privada no palácio de Buckingham, em novembro de 2016 -- um ato que não foi incluído na lista oficial dos compromissos reais.

Paralelamente, a imprensa revelou também que a Fundação do Príncipe terá aceitado receber várias centenas de milhares de euros de um doador russo, o que desencadeou a abertura de uma investigação do organismo independente que regula a atividade das instituições de solidariedade social na Escócia. O presidente da Fundação, Douglas Connell, demitiu-se em setembro de 2021, embora afirmando não ter cometido qualquer irregularidade.

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