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Crise migratória

Bielorrússia ameaça cortar passagem de gás natural da Rússia para a Europa

12 nov, 2021 - 00:52 • André Rodrigues

É a resposta de Alexander Lukashenko à ameaça de sanções da União Europeia por causa da pressão migratória na fronteira entre a Bielorrússia e a Polónia. "Recomendaria que a liderança da Polónia, os lituanos e outras pessoas de cabeça vazia pensassem antes de falar", disse o líder bielorrusso.

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O presidente Bielorrússia ameaça cortar o fornecimento de gás proveniente da Rússia para a Europa, caso Bruxelas avance com sanções no quadro da escalada da crise migratória na fronteira ocidental do país com a Polónia, a Lituânia e a Letónia.

"Estamos a aquecer a Europa e eles [UE] estão a ameaçar-nos. E se interrompermos o fornecimento de gás natural? Eu recomendaria que a liderança da Polónia, os lituanos e outras pessoas de cabeça vazia pensassem antes de falar".

Esta declaração de Alexander Lukashenko provocou uma vaga de receio quanto ao agravamento da escassez de gás natural e à escala de preços, mas, na resposta, o Comissário Europeu para os Assuntos Económicos, Paolo Gentiloni, sublinhou que os 27 membros "não se deixam intimidar” e, a partir de Vilnius, a capital da Lituânia, onde se encontra exilada, a líder da oposição bielorrussa, Svetlana Tikhanovskaya, considerou que, com este ultimato sobre o fornecimento de gás natural, Lukashenko está a fazer bluff.

Alguns analistas, contudo, fazem uma leitura diferente dos acontecimentos admitem que, caso a pressão europeia sobre Minsk aumente, o líder bielorrusso poderá reagir dessa forma, o que elevaria os preços do gás natural em toda a Europa, inclusivamente no Reino Unido.

Outros admitem que Lukashenko poderá, apesar de tudo, adotar uma postura moderada, uma vez que, segundo dizem, o corte da circulação de gás para a Europa seria desastroso para a economia débil da Bielorrússia, embora Lukashenko já tenha tomado decisões economicamente irracionais no passado, além de que o gás que a Bielorrússia está a ameaçar cortar à Europa pertence à Rússia. O país de Alexander Lukashenko é, apenas, um ponto de passagem.

Certo é que, no atual quadro de crise migratória que, segundo o bloco europeu, está a ser instigada por Lukashenko, Bruxelas poderá agravar as sanções contra o regime bielorrusso com medidas que podem impedir que as companhias aéreas internacionais que transportam migrantes possam aterrar no aeroporto de Minsk.

Também a companhia aérea estatal russa Aeroflot está na mira de Bruxelas, sob a alegação de que está a promover o transporte de migrantes para a Bielorrússia, uma acusação que a administração da Aeroflot nega.

Já a Turkish Airlines vai restringir a venda de bilhetes para algumas rotas para iraquianos, sírios e iemenitas e o governo do Iraque já fez saber que está a organizar voos de repatriamento para os seus cidadãos que se encontram retidos na Bielorrússia.

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  • Cidadao
    12 nov, 2021 Lisboa 15:26
    Primeiro, o gás que ele ameaça cortar, não é dele, é da Rússia, o território da Bielorrússia é só um ponto de passagem. depois há alternativas de gasodutos, e se houver coragem politica para tabelar preços de gás natural não permitindo a especulação, e com a energia nuclear, mais as alternativas, mais as térmicas a carvão, que teriam de ser reativadas excecionalmente, enquanto durasse o Inverno, passávamos bem sem o gás que vem da Rússia. Não sei é se o doido passava tão bem, quando deixássemos de lhe pagar esse gás. Razão tinham aqueles que avisaram sobre negócios com os Russos e companhia. Na primeira oportunidade, começam as chantagens. Para mim, atendendo à descarbonização em curso e por enquanto, à fragilidade das energias alternativas, é de repensar o nuclear. Com mais algumas centrais nucleares modernas a funcionar, a UE estaria a rir-se do Lukashenko. E do amigo Putin.

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