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Nobel da Literatura atribuído a Abdulrazak Gurnah

07 out, 2021 - 11:40 • Marta Grosso

Apenas um dos seus romances está traduzido para português. Em 2020, o prémio foi atribuído à norte-americana Louise Glück, pela “sua inconfundível voz poética”.

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Abdulrazak Gurnah é o Prémio Nobel da Literatura este ano. Foi escolhido por "mergulhar de forma apaixonada nos efeitos do colonialismo e no destino dos refugiados".


Abdulrazak Gurnah nasceu em 1948 e cresceu na ilha de Zanzibar, mas chegou a Inglaterra como refugiado no final da década de 1960. Até se reformar (o que aconteceu recentemente), foi professor de Inglês e Literaturas Pós-coloniais na Universidade de Kent, em Canterbury.

O novo Nobel da Literatura publicou 10 romances e vários contos. O tema da perturbação do refugiado permeia todo o seu trabalho. De toda a sua obra, apenas o romance “Junto ao Mar” está traduzido para português, tendo sido editado em 2003.

Começou a escrever aos 21 anos, no exílio inglês, e, embora o suaíli seja a sua língua natal, foi o inglês que se tornou na sua ferramenta literária.

O quarto romance de Abdulrazak Gurnah, “Paraíso” (1994), resultou de uma viagem à África Oriental, por volta de 1990. É um relato de amadurecimento e uma triste história de amor em que diferentes mundos e sistemas de crenças colidem, escreve a Academia.

A experiência do refugiado aos olhos de Gurnah resulta da sua própria identidade e autoimagem; há um estado inseguro que nunca pode ser resolvido.

Abdulrazak Gurnah rompe também, conscientemente, com as convenções, dando destaque às populações indígenas, colonizadas. O romance “Deserção’” (2005) é, por isso, sobre um caso de amor a que chamou “romance imperial”.

A dedicação do escritor à verdade e sua aversão à simplificação são impressionantes, diz a Academia Sueca. Os seus romances abrem o nosso olhar para uma África Oriental culturalmente diversificada, fora de estereótipos.

“No universo literário de Gurnah, tudo está a mudar – memórias, nomes, identidades. Uma exploração sem fim impulsionada pela paixão intelectual presente em todos os seus livros e igualmente proeminente agora em “Afterlives” (2020), tal como quando começou a escrever, como um refugiado de 21 anos”.



Qualquer escritor pode ser nomeado para o Nobel da Literatura, independentemente da categoria em que escreve, afirma Ellen Mattson, da Academia Sueca.

“O vencedor tem de ser alguém que escreva excelente literatura”, diz numa publicação no Twitter, onde explica o processo de escolha deste prémio. “A qualidade do trabalho literário” é o critério básico para a escolha.

“O mundo está cheio de escritores excelentes, pelo que é necessário ir um pouco mais além. É difícil explicar, mas é algo que se transmite, com que se nasce”, acrescenta Ellen Mattson.


Em 1954, Ernest Hemingway afirmou: “Todos os bons livros são semelhantes no sentido de que são mais verdadeiros do que se tivessem realmente acontecido e, quando acaba de ler um, sentirá que tudo o que aconteceu consigo, enquanto lia e depois, pertence a si”.


O Nobel da Literatura é o quarto a ser anunciado pela Academia, a seguir ao da Medicina, da Física e da Química, anunciados esta semana.

Na sexta-feira, será conhecido o nome do Prémio Nobel da Paz. Mas não será o último. Na segunda-feira, dia 11, será anunciado o Nobel da Economia (Ciências Económicas).

Por causa da pandemia de Covid-19, e pelo segundo ano consecutivo, o vencedor do prémio Nobel da Literatura (tal como o de Ciências Económicas) vai receber a distinção no seu país de origem – e não em Estocolmo.

Os prémios são anunciados no início de outubro, mas são geralmente entregues em cerimónias solenes realizadas nas duas capitais escandinavas (Oslo e Estocolmo) em 10 de dezembro, a data de aniversário da morte do fundador, Alfred Nobel (1833-1896).

Os prémios nasceram da vontade deste cientista e industrial sueco em legar grande parte da sua fortuna a pessoas que trabalhem por "um mundo melhor". O prestígio internacional dos prémios Nobel deve-se, em grande parte, às quantias atribuídas, que atualmente chegam aos dez milhões de coroas suecas (mais de 953.000 euros).

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